Questões Sociais Na sequência do último artigo, que abordou a procura de emprego por conta de outrem, aborda-se agora a procura de emprego por conta própria; esta consiste, fundamentalmente, na criação do próprio emprego, individualmente ou em grupo. A criação do próprio emprego, ou o auto-empreendedorismo, sempre existiu, e resulta especialmente da luta pela subsistência. Inúmeras famílias criaram, e criam, por esta via as suas fontes de rendimento; algumas atingiram, e atingem, níveis de remuneração bastante elevados, e não poucas estiveram na origem de empresas de pequena, média e até grande dimensão. A nossa história económica muito lucraria se conhecesse melhor esta realidade bastante ignorada.
Através do Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação (IAPMEI), tem sido prestado algum apoio ao auto-empreendedorismo, tal como ao empreendedorismo em geral. E, através do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IAPMEI), tem sido prestado algum à criação do próprio emprego, individual e colectivo. Tais apoios consistem, sobretudo, nas vertentes de financiamento, formação e gestão. Acontece que, por via de regra, os recursos disponíveis são limitados e, além disso, não se abrangem outras vertentes de importância estratégica. Daqui resulta que não existe um dinamismo significativo de estímulo à criação de emprego e ao empreendedorismo. Até se pode afirmar que a imensa maioria das pessoas que lutam pela subsistência, criando trabalho, se encontram abandonadas pelo Estado.
Destaca-se, em especial, a falta de três vertentes: A prospecção de mercados, sobretudo internacionais; a comercialização de produtos, dentro e fora do país; e o conhecimento dos problemas e potencialidades locais. Sem prospecção de mercados, sem comercialização adequada e sem conhecimento dos problemas e potencialidades de cada localidade, muitos criadores de emprego-empresa não podem viabilizar as actividades a que se dediquem nem adequá-las ao meio em que se localizam. Para que estas três vertentes sejam realidade não se exigem grandes recursos nem grandes decisões políticas; bastaria a acção concertada de empresas e técnicos de exportação e de comercialização em geral, bem como de centros de investigação e de instituições de acção social, de preferência com a participação do Estado. (Continua).
