Programa revaloriza salinas aveirenses

Com um financiamento de 680 mil euros As salinas aveirenses estão abrangidas pelo programa “Sal do Atlântico” que visa a revalorização da identidade das salinas do Atlântico, a recuperação e promoção do potencial biológico, económico e cultural das zonas húmidas costeiras, em Portugal, Espanha, França, Irlanda e Reino Unido.

Com um financiamento total da ordem dos 5,5 milhões de euros, dos quais, cerca de 680 mil destinados às salinas aveirenses, o programa, que se irá desenvolver até 30 de Setembro de 2007, conta com a participação de trinta parceiros e dois associados. Em Aveiro, os parceiros são a Câmara Municipal e a Universidade, aos quais se junta, como associado, a Cooperativa Agrícola de Transformadores de Sais Marinhos da Ria de Aveiro. Em Portugal, os restantes parceiros são de Castro Marim, Faro e Olhão, Leira e Figueira da Foz.

Filomena Martins, da Universidade de Aveiro, sublinhou que este programa permitirá “ir buscar outros programas financeiros e outros projectos” para o salgado de Aveiro. “Este projecto é o início de um conjunto de projectos futuros financiados por programas alternativos da União Europeia, como o LIFE e outros”.

Em Aveiro, entre os objectivos previstos no pro-grama, está a realização de um estudo para a elaboração de um protótipo para responder à erosão das marinhas, nomeadamente as motas, de modo a contribuir para a preservação e manutenção das marinhas. Outro objectivo é a criação de um fundo documental. O programa visa também procurar nichos de mercado para o sal artesanal e produtos associados, desde a flôr do sal às algas, passando pelos sais de banho e outros produtos de higiene, bem como por produtos turísticos que tenham por base as marinhas de sal. E isso para que as nove marinhas, que no ano 2004 produziram sal, se mantenham em actividade e se tente incentivar o arranque de mais algumas marinhas, das cerca de meia centena que ainda têm capacidade para retomar a actividade salineira.

Para Filomena Martins, o que interessa saber é como os parceiros franceses, que há trinta anos estavam decadentes como os da ria de Aveiro, hoje são uma referência mundial na produção de sal artesanal e na criação de novos produtos, como os derivados do sal ou a ele ligados, desde o turismo à gastronomia.

O programa é constituído por sete acções transnacionais: Biodiversidade das salinas; Organização da profissão/ reconhecimento do sal/ desenvolvimento de alternativas; Formação de uma cultura da actividade salineira tradicional no litoral atlântico/ organização da transmissão do saber-fazer; Valorização do potencial turístico das salinas tradicionais do Arco Atlântico; Desenvolvimento de uma gestão integrada para as salinas; Novos produtos associados; Difusão e comunicação. A Universidade de Aveiro participa nas sete acções. A Câmara Municipal de Aveiro participa em cinco acções e a Cooperativa Agrícola de Transformadores de Sais Marinhos da Ria de Aveiro é parceiro associado em duas acções.