Três formas diferentes de participação

“Maria de Lourdes Pintasilgo gostaria de aqui estar”

Helena Valentim, 36 anos, professora universitária em Lisboa, participou com um assessor de Jacques Chirac e outra portuguesa no “workshop” “Face às crises internacionais e à violência: compreender e agir para a Paz”, com duzentos participantes: “Falei de Maria de Lourdes Pintasilgo. Foi a primeira mulher chefe de Estado no nosso país e desempenhou funções de grande responsabilidade na União Europeia e na ONU”. Ultimamente, Pintasilgo estava empenhada na criação de uma rede internacional para aprofundamento da condição das mulheres na construção europeia e na dinamização da fundação “Cuidar o Futuro”, uma espécie de “laboratório de ideias” para um futuro sustentável. Falecida em 10 de Julho passado, Pintasilgo era uma grande adepta de Taizé. “Conheci a Maria de Lourdes quando eu era estudante e encontramo-nos várias vezes em Taizé. Ela ficou muito entusiasmada quando soube que o encontro ia ser em Portugal. Gostaria de aqui estar”, refere Helena Valentim.

“Impressionou-me a inter-ajuda dos jornalistas”

Rui Barnabé, de Albergaria-a-Velha, diácono a ca-minho do presbiterado, responsável pela pastoral juvenil de Aveiro, participou no en-contro como voluntário no centro de imprensa. Atendia telefones, enviava e-mails, conduzia os jornalistas aos melhores locais de reportagem… “Dei apoio a jornalistas europeus que cobriam o encontro e impressionou-me a inter-ajuda dos jornalistas”, refere o jovem diácono. Reconhecendo que no meio jornalístico quase sempre impera a competição e o “salve-se quem puder”, Rui Barnabé realça a partilha de materiais entre jornalistas, muitos deles vindos de Leste, sem grandes recursos ou equipamentos. Outro aspecto importante: “Nas coisas da Igreja nem sempre há transparência para a comunicação social. Neste encontro os jornalistas foram muito bem acolhidos e quisemos mostrar o mais possível”.

Apesar das responsabilidades do centro de imprensa, com mais voluntários russos, polacos, espanhóis, alemães e portugueses, Rui Barnabé pôde participar nos momentos mais fortes. “O centro estava fechado durante as orações [às 13h15 e às 19h30]”.

“Eles têm a porta aberta para voltar”

Fátima Pereira, 29 anos, paginadora de uma revista de TV, acolheu dois jovens polacos na sua casa, em Queluz. “Sabia o que era ser acolhida, porque participei nos encontros de Milão (1998) e de Budapeste (2001)”. “Ao princípio – conta Fátima Fereira – Radek, de 24 anos, e Marcin, de 22 anos, estavam receosos. Preparei a mesa para o jantar, mas não quiseram. Depois fui dar com eles a comerem bolos secos. Tive que os convencer a não fazerem cerimónias”. Fátima Pereira, que no meio dos afazeres profissionais conseguiu participar em três orações e na vigília da passagem de ano, ficou impressionada com os hábitos de oração dos jovens polacos e conversou muito sobre “visões diferentes da igreja”. As-pecto curioso foi o maravilhamento dos jovens polacos quando viram laranjeiras. “Nunca tinham visto laranjas nas árvores. Até tiraram fotografias!” Deste encontro, Fátima sabe que ganhou amigos para toda a vida e tenciona visitá-los na Polónia. “Eles têm a porta aberta para voltar. Com a família que me acolheu na Hungria, todos os anos troco pelo menos três postais”.

J.P.F.