Jovens da Diocese de Aveiro regressaram saciados e renovados na fé Para a maioria dos cerca de 80 jovens da Diocese de Aveiro que participaram no Encontro Europeu organizado pela comunidade de Taizé aqueles foram dias de serenidade, comunhão, paz e descoberta. Na viagem de regresso, feita no sábado, o cansaço era evidente no rosto da maioria dos jovens, mas a vontade de partilhar as experiências e de somar os momentos de felicidade foram mais fortes e foi com eles que este grupo foi resistindo ao sono.
Entre voluntários e participantes, a satisfação era geral, à partida de Lisboa de regres-so a Aveiro. O peso das mochilas contrastava com a leveza do coração que quase todos afirmavam estar a sentir. Para o Secretariado da Pastoral Juvenil (SDPJ), responsável pela participação do grupo de Aveiro neste encontro, o balanço é bastante positivo, porque todos estiveram sempre muito dispostos a colaborar e disponíveis para o que fosse preciso. De acordo com o Diácono Rui Barnabé, responsável pelo SDPJ, que também foi voluntário neste encontro no Centro de Imprensa durante uma semana, “correu tudo muito bem e até recebemos alguns elogios pela forma sistematizada e facilitada como nos fomos organizando com as inscrições e com toda a informação que a organização do encontro ia pedindo”.
“Fomos bem acolhidos”
Durante uma semana estes jovens aveirenses estiveram espalhados pela cidade de Lisboa e arredores, onde foram acolhidos por famílias portuguesas de várias paróquias que foram, como todos reconheceram, incansáveis na forma de acolher: “o encontro correu muito bem, gostamos de tudo; mas a forma como as famílias nos acolheram, sem nos conhecerem de lado nenhum, foi o que mais nos tocou” — partilhou o grupo de Aveiro que ficou alojado na Buraca.
Os dias começavam cedo para os participantes e voluntários desta “Peregrinação de confiança na terra”, a oração da manhã era rezada na paróquia de acolhimento às 8h30, depois as equipas que organizavam o trabalho nessa paróquia tinham propostas de actividades para os grupos onde se misturavam todas as nacionalidades que vieram até Lisboa participar neste encontro. Foi durante este período de convívio mais restrito, no espaço e no tempo, que, em grupos diversificados de línguas e culturas, a troca de experiências e de ideias sobre a fé e o ser cristão foi melhor concretizada e aprofundada.
O resto do dia era passado fora da paróquia de acolhimento. Os jovens dirigiam-se para a Fil, para almoçar e jantar e depois uns ficavam por ali trabalhando como voluntá-rios, outros deslocavam-se para os vários workshops alusivos ao encontro, que aconteciam à tarde em vários sítios da cidade. As refeições foram servidas todas na Fil, e apesar do número de pessoas para servir ser grande – afinal estamos a falar de 40 mil jovens – nunca houve confusões, muito pelo contrário, a animação e o companheirismo eram manifestações espontâneas por todo o lado.
Mar de gente em silêncio
As orações, quer a das 13h15 quer a da noite, sempre às 19h30, foram momentos de verdadeira multidão em paz. O pavilhão 1 da Fil transformava-se num mar de gente sentada em silêncio e simplicidade, pintada a laranja. Os cânticos de Taizé inundavam aquele espaço gigante com uma tranquilidade e comunhão que chegava a arrepiar de tão palpável e profunda, tal como confidenciou a Paula Marques do grupo da Murtosa: “Quando se ouve a voz do irmão Roger e o estar em contacto com ele, sente-se algo no nosso coração que não tem explicação”. Os jovens foram convidados nestes momentos de oração a reflectir os vários pontos da Carta do Irmão Roger – Um futuro de Paz : “as dúvidas da fé”, “rezar leva a amar” e “vai primeiro reconciliar-te”. Estes foram sem dúvida momentos marcantes para muitos jovens que nunca tinham experienciado algo semelhante.
Para o grupo de Aveiro o encontro terminou com uma vigília de oração pela paz em todas as paróquias, durante o serão de 31 de Dezembro e depois com o gesto de envio, na missa de 1 de Janeiro. Os jovens foram enviados para as suas terras e para os seus países com uma luz que devem guardar e manter acesa todos os dias das suas vidas. Como escreveu um dos jovens desta diocese na sua impressão deste encontro, recordando o que foi dito num grupo de oração: “Taizé é como uma fonte: paramos para beber e recuperar forças para continuar a nossa caminhada como católicos”.
Catarina Pereira, SDPJ
