Mártires do ano que passou Assassinados por salteadores ou com deliberada intenção de eliminá-los, 15 missionários – sacerdotes, religiosos e leigos – perderam a vida no ano passado, sem abandonar o seu compromisso de testemunho e apostolado, segundo os dados divulgados pela congregação vaticana para a Evangelização dos Povos.
A África regista o maior número de mortes: cinco sacerdotes, um religioso e uma religiosa. Nas Américas morreram quatro sacerdotes. Na Ásia morreram três jovens e um sacerdote. Pagaram “um generoso tributo de sangue de muitos irmãos e irmãs para o crescimento da Igreja no mundo”, tributo que “rara-mente chega às páginas” informativas, aponta o cardeal Crescenzio Sepe, prefeito da referida congregação.
De 63 anos de idade e origem espanhola, o irmão Ignacio García Alonso, do Instituto dos Irmãos das Escolas Cristãs (de La Salle), morreu no dia 6 de Fevereiro a golpes de machado no seu escritório de director do Colégio que o Instituto tem em Bobo-Dioulasso, no Burkina Faso.
Umas semanas depois, um missionário comboniano italiano de 76 anos teve destino semelhante. O padre Luciano Fulvi foi encontrado na manhã de 31 de Março na sua casa da missão de Layibi, nos arredores de Gulu (Uganda), degolado. Ocupava-se principalmente da educação e da pastoral vocacional.
Tinha apenas 19 anos o estudante paquistanês origi-nário de Quetta, Javed Anjum, quando faleceu em 2 de Maio passado no hospital de Faisalabad. Apresentava 26 feridas no seu corpo, provocadas por um professor e al-guns alunos de uma escola islâmica que queriam conver-tê-lo ao islamismo.
Preso por suposta blasfémia em Agosto de 2003, outro jovem paquistanês, Samuel Masih, de 32 anos, morreu no hospital em 28 de Maio passado, nas mãos de uma polícia muçulmana fundamentalista. Masih, enfermo de tuberculose, também tinha sofrido violência na prisão.
O seguinte assassinato registou-se em Cidade Juarez, no México. Na sua residência perto da paróquia onde desen-volvia seu ministério, em 6 de Julho foi encontrado morto a punhaladas um sacerdote mexicano de 58 anos, o padre Ramón Navarrete Islas. A investigação apontou o roubo como motivo do crime.
Aos servos de Maria (servitas) pertencia o padre Faustino Gazziero de Stefani, missionário italiano de 68 anos presente no Chile desde 1960. Foi ali, na catedral de Santiago, onde a 24 de Julho, ao acabar de celebrar a Missa, caiu apunhalado por um jovem próximo de grupos satânicos.
Muito comprometido na promoção e desenvolvimento social estava o sacerdote guatemalteco de 45 anos Eusébio Manuel Sazo Urbina, pároco do “Divino Salvador do mundo”, nos arredores de Cidade da Guatemala. A 31 de Julho, quando ia atender um doente, um homem atacou-o na rua, aparentemente para roubar, e disparou.
A 16 de Agosto, outro católico paquistanês, Nasir Masih, de 26 anos, era sequestrado de sua casa, a 45 quilómetros de Lahore, e preso à força por um grupo de muçulmanos que o acusavam – falsamente – de roubo. No seu linchamento participaram polícias.
O Estado indiano de Kerala foi cenário da violência fundamentalista quando o padre Job Chittilappilly morreu apunhalado. Tinha 71 anos e há 45 servia a comunidade católica de rito siro-malabar. O seu corpo foi encontrado em 28 de Agosto em sua casa. O sacerdote estava a rezar o Rosário antes de celebrar a Missa. Tinha sido ameaçado por visitar famílias hindus. Nelas era bem recebido, mas não levava a cabo actividade evangelizadora alguma.
Na diocese sul-africana de De Aar foi encontrado morto em sua casa, junto à Igreja de Santa Maria e São José em Colesberg, o sacerdote inglês de 63 anos Gerard Fitzsimos, que se ocupava sobretudo de pobres e doentes de Sida.
Pároco de Jilotlan (México), Macrino Nájera Cisneros, de 42 anos, foi assassi-nado em 18 de Outubro durante a festa posterior à celebração de uma Missa de primeira comunhão. O sacerdote de-fendeu uma jovem de 15 anos a quem molestava um indivíduo. Este voltou à festa e disparou contra o pároco, matando também outras duas pessoas.
Vigário episcopal em Burundi, Gerard Nzeyimana, de 65 anos, morreu no dia 19 de Outubro. Alguns homens armados pararam o automóvel em que viajava, comprovaram a identidade do sacerdote e assassinaram-no a tiros. O padre Nzeyimana era muito conhecido por causa do seu compromisso na promoção da paz e denúncias de violência contra a população nos onze anos de guerra civil no país africano.
Também foi brutalmente assassinado um missionário irlandês de 65 anos, o padre John Francis Hannon, cujo corpo foi encontrado a 25 de Novembro no centro social em construção na paróquia de St. Barnabás em Matasia, perto de Nairobi.
A Bósnia-Herzegóvina foi o cenário da única morte violenta registada na Europa. Na noite de 17 para 18 de Novembro, o pároco de Saint Roko, em Bosanska Gradiska – no norte do país, na diocese de Banja Luka – foi assassinado. O corpo do padre Kazimir Viseticki, de 66 anos, foi encontrado na casa anexa à paróquia. Crê-se que o roubo esteja na origem do crime.
E em pleno natal perdeu a vida Irmã Christiane Philipon, superiora-geral da Congregação de Nossa Senhora dos Apóstolos. A religiosa francesa de 58 anos foi assassinada na noite de 25 para 26 de Dezembro no Chade. Dirigia-se à capital com outras três irmãs quando o automóvel no qual viajavam foi assaltado por um grupo de bandidos. Alvejaram o veículo. Morreu a irmã Christiane e as outras religiosas ficaram feridas.
Agência Zenit/CV
