Diagnóstico Social do Concelho de Aveiro Apesar da qualidade de vida atractiva que o concelho de Aveiro oferece, não deixa de ser inquietante o número de carências, tanto nas zonas urbanas como nas periféricas. Esta é a grande conclusão revelada pelo Diagnóstico Social do Concelho de Aveiro, aprovado pela autarquia, por unanimidade, no dia 9, e apresentado na quinta-feira, em conferência de imprensa, pela vereadora da Acção Social, Marília Martins, e por Paula Guerra, responsável pela elaboração final do diagnóstico.
Aquele documento, que recebeu contributos de 67 instituições e organismos concelhios, mostra que em Aveiro não há respostas para as problemáticas do alcoolismo, da toxicodependência e da delinquência juvenil. Também denuncia situações de “segregação espacial importantes”, nomeadamente no Bairro de Santiago, com mais de duas mil pessoas, sendo considerado “um foco de problemas e um centro de gravidade de vulnerabilidades sociais”. Isto mesmo foi sublinhado no encontro com os jornalistas.
Embora se verifique uma relativa concentração de equipamentos de apoio à infância e à juventude nas freguesias urbanas, em detrimento das mais rurais, Paula Guerra não deixou de lembrar que há listas de espera consideráveis nas instituições que oferecem às comunidades esses serviços. Quanto à terceira idade, alertou para a desvalorização social dos idosos, “galopante”, e para a falta de respostas “a situações de dependência muito graves, nomeadamente acamados”.
Aquela responsável referiu a existência de uma concentração de respostas no Centro de Saúde, “mui-to dinâmico”, com extensões em todas as freguesias, mas não deixou de alertar para a necessidade de se descentralizarem ou reforçarem algumas vertentes, fora da cidade. O Hospital tem muitas especialidades e “há uma certa sensibilidade da população face à questão da saúde”, disse.
Ao considerar que Aveiro tem uma noção de qualidade de vida “mais assente e coesa do que muitos concelhos do País”, Paula Guerra sublinhou a decadência da agricultura, “com o seu crescente envelhecimento”, e o abandono gradual de actividades tradicionais, “ligadas à própria memória concelhia”. Mas logo frisou “a incapacidade de inovação tecnológica por parte das empresas locais”, a falta de abertura “a mentalidades novas” e a deslocalização das empresas, como sinais preocupantes.
Como ponto forte do contexto educativo, aquela técnica considerou a Universidade de Aveiro e tudo o que está em torno dela, em especial a investigação e o dinamismo que traz ao concelho, como uma mais-valia para toda a região. Ao mesmo tempo, salientou a falta de investimentos, em termos de recur-sos técnicos e humanos, “por parte do Governo e das estruturas centrais”, sobretudo ao nível dos 2º e 3º Ciclos e do Ensino Secundário. “Há uma certa incapacidade de resposta do Ensino Básico e Secundário face aos novos desafios da sociedade, em especial no que diz respeito à actualização científica, técnica e de informação”, disse.
Entretanto, a vereadora Marília Martins manifestou o desejo de que durante este ano estejam concluídos os Planos de Desenvolvimento e Acção Social, que não deixarão de apontar as prioridades à Câmara Municipal.
