Que se passa?…

Alguns responsáveis políticos, uns tantos “donos” dos poderes constituídos têm deixado perceber sinais de apreensão face ao eminente cataclismo de uma falta de bens de primeira necessidade. Certo, isso sim, é que as multidões dos remediados ou dos famintos sentem duramente o peso de uma subida exponencial desses mesmos bens.

Analista sereno pergunta-se: “Será que os chineses começaram a consumir, de um dia para outro, arsenais de arroz? Às más colheitas de trigo dos Estados Unidos aconteceram da noite para o dia? O bio diesel de cereais substituiu em escassos dias os combustíveis derivados do petróleo?”…

Quem está a programar a produção destes bens, e a economia associada, de molde a suscitar novas fontes de incontrolada riqueza, à custa da morte de milhões de seres humanos, num cenário que poderá transformar-se em pandemia mundial?

“O luxo e a miséria vivem juntos. Enquanto um pequeno número dispõe de amplo poder de decisão, muitos estão privados de quase toda a possibilidade de agir por própria iniciativa e responsabilidade, vivendo com frequência em condições de vida e de trabalho indignas da pessoa humana” – GS 63. Quem decide destas densas nuvens que atemorizam os povos?…

“O desenvolvimento económico deve permanecer sob a orientação do homem. Não deve ser deixado só ao arbítrio de poucos homens ou grupos demasiado poderosos economicamente, nem só da comunidade política, ou de algumas nações mais poderosas.

(…)

Não se deve deixar o desenvolvimento humano entregue ao simples curso, quase mecânico, da actividade económica dos particulares, nem unicamente ao poder público” – GS 65.

E como fazer ouvir a voz dos famintos, dos que vivem no patamar da pobreza, dos que comem o suado pão da honestidade, e mesmo daqueles que granjeiam e partilham uma vida em condições de digni-dade? Quem nos livra das garras do “leão”, que traça e decide, que usufrui e espezinha, que passa impune sobre os cadáveres dos seus irmãos?…

O que se passa na relação do poder político com o poder económico, nos mecanismos de preservação da função social dos bens? Onde está a força da cultura do respeito pela pessoa humana e por todas as pessoas, da solidariedade, da sensatez na busca dos meios de subsistência em equilíbrio com os materiais energéticos – só necessários em função da mesma pessoa humana?…

Quem nos diz claramente o que se passa? Quem nos motiva ao compromisso para sermos todos a enfrentar e debelar a crise, se ela está, porventura, fora das artimanhas dos senhores da economia?… Alguém há-de saber o que se passa! Será que temos aí o resultado do estratagema de “pagar para não produzir”? Se é uma questão de emendar decisões, o remédio está para cá de Roma!