Plano de Urbanização do Polis Aveiro “É inaceitável o alastramento da cidade de Aveiro sobre áreas ainda naturais da Ria”
O Plano de Urbanização do Polis Aveiro mereceu um parecer bastante crítico por parte do Núcleo Regional de Aveiro da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, devido à prevista ocupação, incluindo imobiliária, de zonas actualmente classificadas como reserva ecológica nacional (REN), nomeadamente salinas.
A primeira crítica apontada pela associação ambientalista prende-se com a sua oposição a “qualquer desanexação de áreas actualmente classificadas como Reserva Ecológica Nacional, nomeadamente na Zona Delimitada pelo Canal Central, Canal das Pirâmides, IP5 e Tirtif (Zona 1) e na Zona da Entrada da Cidade e Ligação ao IP5 (Zona 4)”, como também não concordam com “qualquer construção urbana adicio-nal (habitação, comércio e serviços) na área localizada a norte do IP5”.
Citando um artigo do Plano Director Municipal (PDM) de Aveiro em que se lê que “Nas áreas das Marinhas do Salgado de Aveiro deverá ser elaborado um Plano de Ordenamento que compatibilize as acções de conservação da natureza com as actividades que aí se pretendem instalar, nomeadamente a exploração salícola e aquacultura, em regimes extensivos e semi-intensivo, e conquicultura”, a Quercus considera que “não é compatível com aquele objectivo a proposta de construção da Pousada da Juventude, de um Porto de Abrigo e da excessiva rede de percursos pedonais previstos para a Zona 1”.
Para os ecologistas da Quercus “não é aceitável que se pretenda desanexar áreas da REN, perfeita-mente qualificadas do ponto de vista da sua funcionalidade ecológica, para as converter em áreas de múltiplas utilizações, como ocupação imobiliária, actividades náuticas motorizadas e outras actividades lúdicas, que acarretam necessariamente uma muito maior pressão hu-mana sobre o ecossistema conduzindo à degradação ecológica e funcional da mesma”.
Em conclusão, a Quercus afirma que é “inaceitável o alastramento da cidade de Aveiro sobre áreas ainda naturais da Ria. Este alastramento não é uma requalificação mas sim uma desqualificação ambiental devido à urbanização de uma área de enorme potencial para ser um espaço de lazer, de ligação do Homem com a Natureza e com as tradições da Ria. Ou seja, a cidade de Aveiro deve crescer para o interior e não sobre a Ria”, ao mesmo tempo que defende que a requalificação da frente ribeirinha de Aveiro deve ser “um modo de salvaguardar e realçar as tradições ligadas à Ria, permitindo a presença da vida selvagem às portas da cidade e não prolongar o eixo urbano sob a forma de penínsulas para o interior da Ria, conduzindo à degradação natural da área em termos de vida selvagem”.
