“Queremos diminuir o número de info-excluídos”

Aveiro Digital… Mais próximo de si! – Área de Intervenção 6 – Solidariedade Social – Projecto Incluinet, Centros e Serviços de Info-Inclusão Áurea Baptista, da Associação de Solidariedade e Acção Social do Silveiro, fala do projecto Incluinet. Além de Oliveira do Bairro, onde está sedeada a associação promotora, o projecto abrange os concelhos de Aveiro, Vagos e Sever do Vouga, através das seguintes instituições: Associação de Amigos de Perrães, Centro de Formação e Cultura da Costa do Valado, Centro Social e Paroquial de Santo André – Esgueira, Comissão de Apoio Social e Desenvolvimento de Santa Catarina e Fundação Bernardo Barbosa Quadros.

Quais os objectivos deste projecto?

O grande objectivo é a criação de condições de inclusão e participação de população desfavorecida, como é o caso de mulheres, crianças em risco e idosos – grupos socialmente desfavorecidos. Pretendemos fazer acções de sensibilização e formação e criar acessibilidades especiais às TIC, dentro e fora das instituições.

Quais os produtos e serviços criados com este projecto?

Em primeiro lugar, uma sala multimédia em todas as IPSS do projecto, equipadas com computadores em rede, com Internet e software próprio. Está a ser desenvolvido um portal para o projecto, com diversos serviços na web.

A sala multimédia já está em funcionamento?

Há salas em todas as instituições. E já estão a decorrer as formações em cada instituição. Acabámos agora o primeiro bloco de formação, que incluiu Introdução ao Windows, Word, e Internet e Correio Electrónico.

Qual a aplicação e utilidade deste projecto?

Permite ao público que use produtos e tenha formação dentro da instituição. Relativamente ao portal, permite pesquisa, comunicação e participação deste público na sociedade de informação. Tem um motor de busca, sites seleccionados, notícias e agenda das instituições e um back-office de actualização dos dados das instituições. O projecto permite, por exemplo, que os idosos contactem os seus familiares no estrangeiro através da Internet. Os idosos estão curiosos sobre como vão conseguir isso.

É um grande factor de motivação para a população idosa?

Sim. Os miúdos já têm alguma sensibilidade para a informática. Os idosos são cativados por esse aspecto.

Que problemas este projecto resolve, que benefícios traz?

Passará pela diminuição do número de pessoas info-excluídas, através do fornecimento de condições de acesso facilitado às novas tecnologias: equipamento, formação e serviços adequados. Como o projecto abarca principalmente pessoas que têm dificuldade de acesso às TIC, vai precisamente colmatar essas falhas. Têm dificuldade de acesso não só por questões monetárias, mas também devido à ausência de conteúdos do seu interesse, à falta de cultura tecnológica, falta de visão, audição ou pouca destreza em manusear o rato e o teclado. Com o portal queremos diminuir a solidão de pessoas com dificuldades de locomoção. Será um ponto de encontro virtual de pessoas com as mesma idade e interesses, sem andarem perdidos na teias da Internet.

Quantas entidades estão envolvidas?

Somos seis. Todas têm salas em funcionamento.

Quantas pessoas estão envolvidas?

O projecto abrange um leque diversificado de pessoas e regiões, desde funcionários a utentes (crianças e idosos) e ainda outras pessoas da comunidade a quem é dada formação, em Oliveira do Bairro, Santa Catarina (Vagos), Mataduços (Aveiro), Sever do Vouga. É uma área muito abrangente. É difícil quantificar o total de pessoas envolvidas.

O factor extra de os idosos poderem falar com familiares no estrangeiro foi a grande surpresa? Esperava maiores reservas?

Não surpreende a resistência dos idosos às novas tecnologias. Eles acham que não é nada para eles. Mas ficaram surpreendidos com a possibilidade de contactar e vizualizar familiares no estrangeiro. Foi a grande novidade para eles. Com o telefone, falam mas não vêem. O que os cativou muito foi poder falar e ver ao mesmo tempo. Admirou-me haver um grupo que aderiu tão bem por essa razão.

Que impacto espera que projecto possa trazer?

O caminho para a competitividade está na formação e qualificação das pessoas. Este projecto, com a requalificação de recursos, permite aumentar a eficiência para a qualidade do trabalho. O projecto vai nesse sentido, porque também dá formação aos pessoal das instituições.

Quem assegura os serviços?

As formações são dadas a funcionários de cada instituição, que posteriormente transmitem os conhecimentos aos colegas e aos utentes.

Para lá deste projecto, a associação precisa de mais investimentos nesta área das novas tecnologias?

Pensamos que sim. Queremos ter tudo em rede, nomeadamente na área da saúde, dos técnicos sociais e psicólogos, ter tudo em interligação. A evolução da instituição passa por aí. Como é óbvio, é difícil uma instituição de solidariedade social investir sozinha na área da informática. Este projecto trouxe-nos uma mais valia em termos de equipamento e formação. Esperamos poder continuar noutras áreas.