O P.e Manuel João dos Santos Cartaxo esteve na equipa sacerdotal de Ílhavo durante mais de 12 anos, de 1968 a 1980, primeiro com o P.e António dos Santos (o pároco de então; mais tarde bispo auxiliar de Aveiro e depois Bispo da Guarda) e com o P.e Urbino e mais tarde com o P.e Joaquim Martins.
Escreveu em 08/07/2003 no jornal da paróquia, a quando do falecimento do Sr. Padre Urbino: “Foram tempos de uma vivência pastoral jubilosa, diversificada e enriquecedora, fortalecida pela amizade”…
Podemos transportar este seu testemunho para a vivência, enquanto escuteiro no Agrupamento de Ílhavo.
Fez promessa de dirigente a 27 de Julho de 1969 na Igreja Matriz de Ílhavo. A Região de Aveiro celebrava neste dia um dos seus pontos altos na formação de dirigentes da 1.ª Secção – Lobitos. Faziam promessa com o ritual dos Exploradoras cerca de uma dezena de raparigas que tinham vindo a fazer a sua formação nas “Rochas/69” sob a orientação do P.e Miguel (o Chill), o Chefe Armando Coutinho (o lobo Gris), a Àquêlá Isabel Mourinho e a Baguera Assunção Balreira.
O P.e Cartaxo quis associar-se a esta festa e à renovação da Alcateia de Ílhavo, que pela primeira vez ia ter na sua equipa de animação duas dirigentes femininas. Como jovem padre, vivendo profundamente o ideal do Escutismo, quis dar o exemplo e apresentou-se à promessa, acompanhando as duas jovens que com ele viveram entusiasmadas a preparação do grande momento no Agrupamento.
Presidiu à Eucaristia o assistente regional, P.e Valdemar Costa. Era chefe regional o Dr. Humberto Marques e chefe Do Agrupamento Manuel Azevedo. As fotografias testemunham o acto. E lá está o nosso Chill, o grande impulsionador da formação a nível regional, junto destes chefes, coordenando toda a celebração.
No final da Eucaristia houve almoço partilhado e passeio ao Buçaco.
Escusado será dizer que a alegria e os dons de animação tanto do Chill como do P.e Cartaxo foram uma constante em todas as ocasiões. O Agrupamento ficou muito mais enriquecido com o novo Assistente até 1980.
Com enorme espírito de serviço, assumiu a chefia do Agrupamento durante quatro anos, de 1976 a 1980. Numa Ordem de Serviço interna do Agrupamento em 19/06/78 pode ler-se: “Nomear interinamente chefe de grupo o actual assistente, Padre Manuel João S. Cartaxo, que acumulará dois cargos enquanto se considerar necessário”.
Não são necessárias mais palavras para definir o espírito de serviço em favor do nosso Agrupamento.
Recordo muitos momentos alegres na convivência com o P.e Cartaxo e outras extremamente difíceis após 1975. Com a ajuda do Chefe Divino, o Agrupamento deu um salto bem alto e continuou no rumo certo proporcionando o crescimento harmonioso às nossas crianças, adolescentes e jovens. Com muita oração em equipa, íamos ultrapassando as dificuldades. O P.e Cartaxo revelou sempre uma constância e um optimismo nas situações de desânimo.
E como a vida é feita de tudo, os momentos agradáveis foram muitos. Recordo com alegria os momentos em que tivemos de aplicar um dos nossos artigos da lei “o escuta desenrasca-se”, a quando do XV ACANAC, de 5 a 13 de Agosto, na Mata da Colónia Agrícola da Gafanha. No seu “Diana” branco galgávamos quilómetros a arranjar o impossível para o “staff”. Sempre a cantar, a travar e a acelerar era ver o “Diana” com o dístico “livre-trânsito” a entrar e a sair constantemente do acampamento deixando atrás de si uma poeirada que fazia rir (!) os acampados.
O P.e Cartaxo esteve sempre presente nas celebrações dos aniversários mais significativos do Agrupamento. Que o digam as fotografias que possuímos. (…)
Muito tenho para recordar do nosso P.e Cartaxo. O coração é pequeno nestes momentos de saudade profunda.
Louvemos o Senhor por tudo o que Ele fez por intermédio do nosso e sempre Assistente do 189. Junto de Deus ele intercederá por todos nós que vivemos o ideal que ele sempre quis viver: o Escutismo.
Obrigada, Padre Cartaxo.
Maria Vitorina M. Azevedo, dirigente de CNE
