Apenas duas escolas da área da diocese não participaram no encontro anual de alunos e professores de Educação Moral e Religiosa Católica. Inscrição na disciplina vem aumentando
Mais de 3300 alunos, de 34 escolas da área da Diocese de Aveiro, participaram no décimo Inter-Escolas, encontro dos alunos e professores de EMRC (Educação Moral e Religiosa Católica), que decorreu em Anadia, na sexta-feira, 23 de Abril.
A jornada foi principalmente de festa, com imensos jogos, música, dança, e barraquinhas onde cada escola apresentava as suas artes e carimbava os passaportes (de papel ou a própria t-shirt) dos alunos – o que levou muitos alunos a correrem de barraquinha em barraquinha a coleccionar carimbos. Isto da parte da tarde. De manhã, alunos e professores concentraram-se no Vale Santo, onde assistiram à teatralização da lema do dia, “EMRC diz: Quero ser feliz!”, pela professora Teresa Grancho e os seus alunos da Secundária José Estêvão (Aveiro), ouviram a palavra do Bispo de Aveiro e caminharam em direcção à zona desportiva, onde se formou o tradicional cordão humano, desta vez com mais de seis mil mãos dadas. Antes do almoço, soltaram-se pombas.
Opção correcta
D. António Francisco realçou que “a opção pela disciplina é correcta e necessária, é uma forma de valorizar a escola e de dar um contributo imprescindível aos alunos”, como deixava patente o lema do dia. “A aula de EMRC tem um sentido positivo para a vida. Por vezes é colocada nas pontas do horário escolar, tornando mais difícil a frequência, mas é um contributo decisivo para a valorização, um contributo festivo que os alunos acolhem, sentindo que vale a pena por tudo quanto vivem e aprendem”, disse ao Correio do Vouga.
O Bispo de Aveiro manifestou-se satisfeito por haver alunos de todas as escolas menos de duas. “Reunirmos tantas escolas da Diocese numa iniciativa destas é já de si um belo testemunho”, disse, realçando o trabalho do Secretariado do Ensino Religioso nas Escolas (SDERE), o trabalho dos professores desta e de outras disciplinas, bem como o acolhimento da iniciativa por parte da direcção das escolas e a colaboração da autarquia de Anadia para a realização desta actividade. “Não podemos construir um mundo melhor sozinhos. Todas as iniciativas que nos congreguem, que nos reúnam e que nos articulem ajudam-nos a descobrir a dimensão comunitária da vida e a sentir uma escola aberta à sociedade e ao mundo”, disse.
Elisa Urbano, responsável do SDERE, estava satisfeita como decorrer do dia e realçou a este jornal quer o trabalho das escolhas anfitriãs quer o de entidades como a Câmara Municipal – o presidente Litério Marques marcou presença durante a manhã – a GNR ou os Bombeiros. Observou ainda que “há reflexos positivos do Inter-Escolas nas matrículas na disciplina”. A disciplina é opcional, como se sabe. Nos últimos anos, segundo Elisa Urbano, o número de inscritos tem subido cerca de 1 por cento ao ano, o que revela, também, o bom trabalho dos professores. Os alunos sentem e sabem que a EMRC é uma disciplina importante para a formação pessoal.
Jorge Pires Ferreira
TESTEMUNHOS
Andreia Santos, 13 anos, 8.º A, Sever do Vouga
Incentivo para nós
Ando em EMRC porque escolhi. Gosto das aulas porque falamos de Cristo e dos problemas actuais. É a segunda vez que participo no Inter-Escolas. É um encontro bom para conhecer pessoas e conviver. O dia tem sido muito animado. O testemunho do Sr. Bispo foi um incentivo para nós.
Teresa Ribeiro, professora de EMRC na EB2.3 Aires Barbosa, Esgueira
Marca positiva
Viemos com mais 60 alunos e alguns professores. Este dia é fantástico para conviver de forma saudável. Vieram dois ou três alunos por turma. Eles próprios escolheram quem devia vir, porque não podiam vir todos.
A aula de EMRC é importante para educar para os valores. É para isso que trabalhamos. Não recolhemos o resultado imediatamente, mas fica lá a sementinha. Vamos encontrando jovens ao longo da vida que nos dizem que as aulas marcaram positivamente.
Emília Cruz, professora de EMRC na Secundária de Anadia. Elemento da organização
Contra o analfabetismo religioso
Deu-nos muito trabalho organizar este dia. Começou a ser preparado pelas escolas do concelho de Anadia no início do ano lectivo. Esperávamos 2000 a 2500 estudantes. Só na última semana soubemos que íamos ter esta moldura humana fabulosa. Toda a gente diz estar a gostar muito.
Quanto às aulas de EMRC, acho que são cada vez mais importantes no contexto de analfabetismo religioso em que vivemos. Quem não perceber de religião não percebe o ser humano.
