Réplica viva

Olho de Lince Fico sempre enternecido com as cenas de dedicação, carinho, solidariedade…, sobretudo quando elas significam uma doação total, uma doação que é entrega sacrificada, mesmo sofrida, da vida toda.

Aquele corpo, aparentemente de criança, seria por certo de jovem. Só o abraço envolvente da senhora que parecia a Mãe o mantinha de pé. A falta de consistência muscular, resultado de outras anomalias, obrigava a um cuidado sem medida, por parte da progenitora. Para alguns, seria uma daquelas inutilidades a eliminar!

A toalha, embrulhada com a maior delicadeza, aconchegou o jovem. Ficaram sentados, de frente para o sol, naquela meia tarde. Imagem de antologia, afigurava-se-me o conjunto como um único ser.

O amor é isso: ser a envolvência do outro, o seu suporte, a sua firmeza, a sua segurança, abdicando da silhueta própria, para ser um só! “É no dar que se recebe!”… Ainda não vi – como naquela tarde – réplica viva tão fiel da Pietà.

Q.S.