Respeitar o ambiente exige novos estilos de vida

Dez Palavras-Chave sobre a “Caritas In Veritate” O tema do ambiente há muito que entrou na Doutrina Social da Igreja. Aliás, sempre lá esteve, porque o cuidado da Criação é intrínseco ao cristianismo. Note-se, por exemplo, que a cultura bíblica tinha uma concepção positiva do mundo, porque criado por Deus, que é bom, ao contrário de outras mentalidades. Nesse sentido, Bento XVI lembra o filósofo grego Heraclito, para quem a natureza era como “um monte de lixo espalhado ao acaso” (CV, n.º 48). Como para os cristãos, a natureza não é “fruto do acaso ou do determinismo evolutivo”, mas resultado da “intervenção criadora de Deus”, isso confere-lhes uma especial preocupação ambiental equilibrada. “Se falta esta perspectiva, o homem acaba ou por considerar a natureza um tabu intocável ou, ao contrário, por abusar dela. Nem uma nem outra destas atitudes correspondem à visão cristã da natureza, fruto da criação de Deus” (n.º 48).

Nesta linha, o Papa aponta como desvios tanto os “comportamentos neopagãos” e panteístas que consideram a natureza mais importante do que a própria pessoa humana (por vezes presentes em movimentos ecologistas; ou o caso da defesa dos direitos dos animais por pessoas que desprezam a vida humana intra-uterina, por exemplo) como os comportamentos tecnicistas que acham que a natureza é para dispor “a nosso bel-prazer” (veja-se tanto a destruição industrial dos ecossistemas ou a invasão de turistas nos locais mais recônditos). O Papa refere, por isso, o dever de solidariedade entre gerações. Os que virão também têm direito ao mundo. O equilíbrio consegue-se conhecendo a “«gramática» [inscrita por Deus na natureza] que indica finalidades e critérios para uma utilização sapiente”.

As “problemáticas energéticas” também estão presentes neste contexto, exigindo uma “renovada solidariedade” com os países em vias de desenvolvimento e um “governo responsável sobre a natureza”, além da cooperação internacional na pesquisa de fontes novas e alternativas de energia.

Bento XVI realça ainda que “o modo como o ser humano trata o ambiente influi sobre o modo como se trata a si mesmo, e vice-versa” (ecologia humana e ecologia ambiental), e, citando João Paulo II, apela a novos estilos de vida, “nos quais a busca do verdadeiro, do belo e do bom e a comunhão com os outros homens para um crescimento comum sejam os elementos que determinam as opções dos consumos, das poupanças e dos investimentos” (n.º 51).

A CV aborda a questão ambiental porque “a Igreja sente o seu peso de responsabilidade pela criação e deve fazer valer esta responsabilidade também em público” para defender a Terra e o ser humano (n.º 51).

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