Quis ser monja, mas por ter de tomar conta do irmão mais novo, provocou uma revolução na educação italiana: criou as primeiras escolas públicas para raparigas.
Rosa Venerini nasceu no dia 9 de Fevereiro de 1656, em Viterbo, cidade no centro de Itália, onde está sepultado João XXI, o Papa português. Terceira de quatro irmãos (Domenico, Maria Madalena, Rosa e Horácio), era filha de Godfredo, um médico conceituado, e de Márcia Zampichetti, de uma família tradicional da cidade.
A família deu-lhe sólida educação cristã. Ainda em criança, Rosa fez o voto de se tornar monja. No cumprimento do voto, entrou para o mosteiro dominicano de Santa Catarina de Sena, para conhecer a vida claustral, mas só lá ficou uns meses porque entretanto o seu pai morre subitamente. Regressa a casa para confortar a mãe e sucede-se uma série de tragédias familiares. Morre aos 27 anos o seu irmão mais velho, Dominico. E, passados uns meses, por desgosto, a sua mãe. Entretanto, Maria Madalena casara-se, pelo que Rosa passa a cuidar do irmão mais novo, Horácio. É neste contexto que, seguindo a espiritualidade de S. Domingos e S.to Inácio de Loyola, começa a convidar para sua casa, para rezarem, as jovens e as mulheres do seu bairro. Com este gesto, dá-se logo conta de que as mulheres da sua terra não sabem rezar.
“Rosa compreendeu que a mulher do seu tempo era escrava da ignorância e da pobreza, destinada aos trabalhos mais pesados, e que ninguém se preocupava com o seu bem-estar. Então, (…) com duas amigas, decidiu abrir uma escola para as jovens pobres. Corria então mês de Agosto de 1685. A cada dia, pelas ruelas de Viterbo passava uma criança tocando uma sineta e chamando todas as jovens e crianças da cidade. As lições começavam com a oração, seguida da catequese, dos trabalhos manuais femininos e das lições para aprenderem a ler e a escrever bem. Em pouco tempo, a escola de Rosa mudou de fisionomia e ela recebeu pedidos para fundar outras escolas, pedidos estes formulados por bispos e cardeais. As professoras não eram religiosas, mas viviam como tais, sendo chamadas Mestras Pias”, relata Ir. Maria Teresa Crescini, que pertence à ordem fundada por esta santa.
A escola de Viterbo, autorizada pelo cardeal Urbano Sacchetti, tinha duas mestras, Gerolama Coluzzelli e Porzia Bacci, que tinham sido preparadas previamente. Foi a primeira escola pública italiana destinada a raparigas.
A experiência foi um sucesso, mas encontrou forte oposição em duas classes de pessoas. Por um lado, o clero considerava que o ensino da religião era actividade exclusiva do estado clerical. Por outro lado, a classe média da cidade escandalizava-se com o ensino geral ministrado a mulheres e por mulheres. Outros bispos apoiam o projecto e surgem mais escolas na diocese de Montefiascone, sempre no centro de Itália, e depois em Roma, no ano de 1706. A primeira experiência romana foi um rotundo fracasso, o que causou grande sofrimento na fundadora. Passados seis anos, nova tentativa, desta vez perto do Capitólio, bem no centro de Roma.
No dia 24 de Outubro de 1716, a escola romana recebe a visita do Clemente XI. O Papa ficou uma manhã inteira na escola, juntamente com oito cardeais, ouvindo a lição de catecismo e interrogando as alunas. No final, chamou Rosa e as suas companheiras, agradeceu-lhes o precioso trabalho, conferiu-lhes uma medalha de prata e disse: “Signora Rosa, está a fazer aquilo que nós não somos capazes de fazer. Agradeço-lhe muito, porque, com estas escolas, santificará Roma”.
A obra recebia o reconhecimento máximo e podia assim espalhar-se por toda a Itália. Quando morreu, no dia 7 de Maio de 1728, tinha a funcionar mais de quarenta escolas.
Actualmente, tendo por lema “educar para salvar”, as Irmãs Mestras Pias Venerini estão em Itália, Índia, Brasil, Camarões, Roménia, Albânia, Chile Venezuela e Nigéria.
J.P.F.
As datas de Rosa Venerini
1656 – Nasce em Viterbo (Itália), no dia 9 de Fevereiro
1676 – Frequenta o Mosteiro de Santa Catarina
1685 – Abre uma escola para jovens, a primeira escola pública feminina em Itália
1713 – Abre uma escola em Roma
1714 – Publica o livro “Relazione degli Esercizi que si pratticano in Viterbo nelle Scuole destinate per istruire le Fanciulle nella Dottrina Cristiana”, para obter das autoridades eclesiásticas a aprovação do seu método educativo
1728 – Morre em Roma, no dia 7 de Maio
1952 – Beatificação de Rosa Venerini
2006 – Bento XVI proclama-a santa no dia 15 de Outubro
Preocupava-se com a formação completa das jovens
Santa Rosa Venerini é outro exemplo de discípula fiel de Cristo, pronta a abandonar tudo para cumprir a vontade de Deus. Gostava de repetir: “Estou presa a tal ponto na vontade divina, que não me importa nem morte, nem vida: desejo viver o que Ele quer, e desejo servi-lo em tudo o que lhe apraz, e nada mais”. Deste seu abandono a Deus brotava a actividade clarividente que desempenhava com coragem a favor da elevação espiritual e da autêntica emancipação das jovens mulheres do seu tempo. Santa Rosa não se contentava em dar às jovens uma adequada instrução, mas preocupava-se em lhes garantir uma formação completa, com sólidas referências ao ensinamento doutrinal da Igreja. O seu mesmo estilo apostólico continua a caracterizar ainda hoje a vida da Congregação das Mestras Pias Venerini, por ela fundada. E como é actual e importante também para a sociedade de hoje o serviço que elas desempenham no campo da escola e sobretudo da formação da mulher!
Bento XVI, na homilia da canonização
O meu desejo é libertar as jovens da ignorância e do mal para que Deus seja visível em cada pessoa.
Rosa Venerini
