O assunto é delicado, por mais que o queiram tornar banal. Trata-se da Educação da Sexualidade, agora regulamentada para as Escolas. Na verdade, para uns, é o cumprimento do “direito inalienável à informação”, que o Estado deve exercer, libertando assim os jovens da tirania das Famílias. Para outros, é a complexidade de fazer crescer harmoniosamente homens e mulheres em relação sadia consigo mesmos e com os demais.
Espanta como alguém que se apresenta como representante das Famílias – pergunto-me se ele ainda tem filhos na escola, em que medida representa mesmo legitimamente as Associações de Pais do nosso País – emite opiniões desta natureza, descartando por completo qualquer tutela dos Pais sobre os Educandos. A não ser que seja na busca de mais benesses do aparelho do poder ou por simples estratégia de protagonismo.
Identificar-se-ão os Pais portugueses, ou a viver no nosso País, com uma perspectiva educativa que prescinda do seu compromisso e empenho em propor aos seus Filhos uma vivência integral e integrada da sexualidade, como dinamismo que anima toda a existência humana?
Será redutível a educação da sexualidade a uma informação biológica com intuitos de protecção da saúde, padronizada num contexto escolar? Não terão as relações familiares uma afinidade natural com esse dinamismo, que permita intuir um acompanhamento personalizado e progressivo dos Educandos? Serão todos os Pais perversos sexuais, papões de quem urge libertar os Filhos?
Ao contrário desta escandalosa visão “oficial” do representante das Famílias, surgem eminentes psicólogos e outros doutos em Ciências Humanas a defender que só os Pais podem educar a Educação, a recomendar insistentemente aos Pais que se não demitam, que exerçam a sua autoridade, que retomem o hábito salutar de dizer “não”, quando a situação o exige…
Seria bom ajuizarmos onde pára a sabedoria, para nos não perdermos no lamaçal da “verdade” própria oportunista, que pode bem ser ignorância! Embora o não pareça, já que a ignorância inculpada procura remédio e, normalmente, encaminha-se para a sabedoria.
Não quero acreditar que os pais portugueses, apesar de muitas dificuldades de sobrevivência familiar, já se resignaram a não serem mais do que pais biológicos, confiando – quase desde o ventre materno! – o cuidado dos seus rebentos ao todo-poderoso Estado totalitário!
