Uma pedrada por semana Só quem aceita a humilhação, justa ou injusta, pode saber que trilha o caminho da humildade. As bem-aventuranças são, para quem as acolhe, caminho certo de perfeição. Elas ressumam de apelos à humildade, traduzidos em caminhos de conversão. Denunciam falsas felicidades e mostram, por contradição, onde reside a verdadeira felicidade. Os santos sabem-lhe o sentido. Os insensatos riem-se de um tal código.
Ao vir ao nosso encontro Deus Pai escolheu, para seu Filho, o caminho da humilhação. Ele que era tudo, fez-se nada. Humilhou-se até à aniquilação. Foi então que começou a sua exaltação.
Quem escolhe o caminho contrário multiplica passos em vão. As honras humanas, todas elas, são flor que murcha, erva que seca. Mesmo assim, mantêm a força de um fascínio que aumenta o número dos frustrados e dos desiludidos. Dentro e fora da Igreja.
Haverá alguma vez maior pedrada no charco da mediocridade e da indiferença que a Paixão misteriosa de Cristo, que o sinal incómoda da sua Cruz?
A Cruz, com dizia Paulo, um lúcido experiente do amor misericordioso, sempre será para muitos escândalo e loucura, mas para muitos outros, poder e sabedoria de Deus.
A Igreja vive da Ressurreição, mas não pode renegar a Cruz. Quem sonha renovação, tem de aceitar a humilhação.
Porque celebramos o Mistério Pascal, cada ano e com tanta solenidade, e somos depois tão tardios em o passar para a vida, como anúncio vivo e mensagem renovadora?
