No renovado Museu Marítimo de Ílhavo Na cerimónia comemorativa do 2º aniversário da inauguração do renovado Museu Marítimo de Ílhavo (MMI), foi aberta ao público, na terça-feira, A SALA DA RIA, um chamariz expressivo para novos visitantes. Em espaço amplo, de pé direito que permite a exposição dos barcos da laguna com as velas ao alto, este será mais um bom motivo para uma visita demorada ao mais completo repositório das nossas memórias da tão apregoada Ria de Aveiro.
Ana Maria Lopes, que já foi directora do MMI e que presentemente não deixa de prestar a sua ajuda, enquanto especialista das coisas da Ria, sublinhou ao Correio do Vouga que, no antigo espaço, “não havia afectividade entre o visitante e as embarcações”. Para que isso pudesse acontecer, esta sala foi humanizada, “sobretudo aparelhando-se quase todas as embarcações: a erveira com junco, o saleiro com sal, as bateiras com artes de pesca”. Ao mesmo tempo — subli-nhou a antiga directora do Museu — “essa humanização também passou por trazermos para junto do público algumas peças que considero fulcrais, porque são do espólio inicial do MMI e algumas anteriores, de 1934”.
O visitante, no dizer do presidente da Câmara de Ílhavo, Ribau Esteves, encontra agora uma “casa aberta, atenta e activa, com o seu património construído, sem nunca esquecer novas facetas e novas perspectivas”. Mas a dinâmica deste Museu vai continuar, depois do Navio-Museu Santo André e da Casa Gafanhoa, na Gafanha da Nazaré, com mais um pólo a erguer na Costa Nova, dedicado à arte da Xávega, adiantou o autarca.
E se não bastassem estes espaços museológicos, Ribau Esteves anunciou, ainda, a recuperação do Palácio de Alqueidão, para nele ser instalada a Biblioteca Municipal, bem como a reabilitação da capela anexa. Ao lado, será construído o novo Fórum da Juventude.
Na SALA DA RIA, Correio do Vouga teve ainda conhecimento da existência de um artista-artesão da Gafanha do Carmo, Manuel Conde, cujo espólio do seu estaleiro foi doado ao MMI, onde está exposto.
Segundo nos referiu seu filho Fernando, Manuel Conde foi o único construtor da região, em termos de barcos para a Arte da Xávega, durante 40 anos. Construiu barcos de mar para as companhas da Costa Nova, Vagueira, Mira e Tocha, tendo aprendido a arte com um irmão mais velho que andou pelo Brasil.
Álvaro Garrido, o director do Museu, frisou que as fainas agro-marítimas passam a estar bem representadas na sala ora inaugurada, tendo sublinhado que a emotividade das gentes de Ílhavo vai continuar. Esta é uma sala para entendermos a Ria, tal como ainda a conhecemos e da qual temos saudades, disse.
Para o primeiro responsável por este arejado e amplo espaço museológico, como para todos os amantes da Ria, e não só, visitar o Museu Marítimo de Ílhavo é uma aventura dos sentidos, mas também conhecimento e lazer.
F.M.
