Usada em saladas e farinhas, cresce o valor comercial da salicórnia, planta que pode ser cultivada nas margens da Ria.
A gastronomia regional aveirense está a começar a incorporar em alguns dos seus pratos, nomeadamente nas saladas, a salicórnia, uma erva comestível que cresce nas salinas aveirenses. Por ser altamente tolerante ao sal e, por isso mesmo, ser salgada, também é conhecida por sal verde ou espargos do mar.
A salicórnia tem valor comercial, pois, além de lhe assentar o carimbo de “produto gourmet”, pode ser transformada em farinha para animais, tendo ainda aplicações farmacêuticas e cosméticas.
Sendo uma planta sazonal, a salicórnia desenvolve-se a partir da primavera (até ao outono), nas margens das marinhas de sal e também em alguns dos canais da ria. É nessa altura que apresenta maiores vantagens culinárias, podendo ser consumida crua em saladas.
Depois de muitos anos praticamente ignorada, tanto por agricultores e marnotos como por “chefes” de cozinha, a salicórnia está a entrar nas ementas “gourmet”, muito por influência da moderna cozinha francesa, que sempre soube valorizar este produto natural para confecionar saladas de sabor requintado.
Em Aveiro há já alguns produtores, sobretudo ligados a marinhas de sal, que comercializam salicórnia, havendo mesmo já marcas no mercado, numa clara aposta neste produto.
Nas Jornadas da Ria de Aveiro, realizadas na Universidade de Aveiro, investigadores do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro e do CESAM – Laboratório Associado, apresentaram o estudo “Cultura e exploração de salicórnia na Ria de Aveiro”, concluindo que “a salinicultura da erva-salada poderá ser mais um ponto de partida para a exploração sustentada dos recursos vegetais da Ria de Aveiro numa parceria com as indústrias alimentares e farmacêuticas”.
Também a Universidade do Algarve está a promover o projeto “Cultivo Sustentável de Halófitas na Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António”, com o objetivo de desenvolver o cultivo sustentável de salicórnia e outras plantas halófitas, contrariando o abandono da salicultura tradicional nessa área, cujas consequências ambientais se fazem sentir sobretudo ao nível da avifauna. O cultivo sustentável de plantas locais com várias potencialidades comerciais poderá ser uma aposta no desenvolvimento regional.
Esse projeto resulta de uma parceria entre os investigadores do Centro de Investigação em Ciências do Ambiente e Empresariais do Instituto Superior Dom Afonso III e o Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB).
Cardoso Ferreira
