Uma pedrada por semana Desde há anos, e quando isso começou a ser possível, louvei o esforço de instituições privadas e seus educadores, quando vi no local, que a partir do jardim-de-infância, havia já a preocupação de iniciar as crianças, com tempo e método adequados, no uso do computador. Nos meus artigos há alusão, com palavras de estímulo, a este facto.
Quando vi agora, a todas as crianças das escolas públicas (as privadas não são crianças desta nação) a entrega de um portátil, ainda que simples, lá fui pensando que a casa estava a começar pelo telhado, porque um computador, não é um brinquedo. Mais ainda, fiquei perplexo, quando vi que a entrega era feita com pompa e circunstância, com ministros e comunicação social, com discursos e beijinhos…
Pouco tempo depois, os jornais dizem que não se sabia quem pagava os computadores oferecidos; as câmaras negavam-se a saldar a despesa da ligação à Internet; os professores diziam que a disciplina e a atenção nas aulas se complicara, ainda mais, com a chegada do famoso; os pais queixavam-se da saúde psicológica dos filhos que esperam há meses o “Magalhães”, pois os seus colegas há muito o receberam. Por fim, a desgraça maior: há pelo menos oitenta erros contados de português, nos jogos do dito, e as crianças que sempre aprendem com os jogos, estavam a desaprender a língua pátria com o “Magalhães”. Para agravar, os responsáveis, sem negarem os erros encontrados que cada dia vão ficar à frente do nariz dos pequenos, dizem que isso não tem qualquer importância e se trata apenas de mais uma campanha suja e invejosa da oposição…
Tudo à custa do glorioso “Magalhães” que, de repente, passou a ser o pobre e o complicado “Magalhães”. Daqui, eu dizer, ou salvem-no ou prendam-no…
Educar sempre foi e será uma coisa séria. Aprender sempre foi e será fruto do esforço de quem educa e de quem é educado. Com muitos educadores desmotivados, não há Magalhães que resista ou ajude a solução do problema maior deste país, a educação. Os meios, na educação, não podem servir de fins para interesses alheios.
Seremos capazes, sem matar a esperança das crianças, de tirar conclusões de mais um acontecimento, como tantos outros, cheio de picos que incomodam?
