Se conhecesses aquele que te diz…

Poço de Jacob – 8 omo devemos nos comportar na hora de nos dirigirmos a alguém. Quando vamos ao médico, ao ginásio, dar uma aula, visitar um amigo, visitar um ministro ou um membro da autoridade, medimos palavras, atitudes, gestos, aparência e termos. Sabemos qual é o nosso objectivo a alcançar com este contacto e preparamos os argumentos para conseguir o que desejamos. Até ensaiamos, segundo as circunstâncias. Com Deus, sabemos que Ele está connosco quando nos levantamos e quando nos deitamos. Não precisamos da aparência nem dos subterfúgios dos gestos e argumentos.

Porém, nem sempre consideramos a grandeza Daquele a Quem nos dirigimos. As opiniões variam entre o Altíssimo diante de quem se dobram todos os joelhos e o “tão perto de mim”, diante do qual me comporto como amigo ou até como colega.

Há extremos de parte a parte no que se refere ao exterior, ao que se vê e observa. A verdade é que uma genuflexão bem feita já converteu muita gente no mundo. Mas Deus olha o interior, o coração e a atitude de adoração em espírito e verdade. Ele vê a humildade, a pequenez, a pureza de consciência e intenção, a confiança, a fé sem argumentos, a consciência da nossa fraqueza e a consciência da Sua Misericórdia.

Se conhecêssemos Quem é Aquele a Quem nos dirigimos quando oramos… talvez a nossa oração fosse mais eficaz e cuidássemos da nossa aparência interior, que Ele vê, não como algo a cumprir no rol das minhas devoções, mas como um encontro que permita a Deus actuar em mim e mostrar-me o quanto me ama e o quanto eu tenho de mudar em muitas matérias.

Rezar não é dar a Deus a minha oração, mas deixar o Espírito rezar em mim e informar o meu ser da Vontade do Pai. Depois de comungar, Edith Stein perguntava sempre ao Senhor dentro dela: “Senhor, que queres que eu faça?”

Se conhecêssemos Quem é Aquele que nos diz “Amei-te com amor eterno; tu és meu”, como o nosso relacionamento com Deus e com a vida seria diferente! Jesus lançou o repto à samaritana… e à nós. Não admira que Bento XVI tenha dito que “quem crê, nunca está só”.

P.e Víctor Espadilha