Peregrinação por terras de Jesus e Maria No dia 24 de Fevereiro, rumaram à Terra Santa cinquenta peregrinos da diocese de Aveiro.
Como expressar em palavras, o que sentimos e vivemos ao longo desta peregrinação? Impossível!
Como explicar o que nos ia na alma, ao começarmos a peregrinação pelos lugares santos com a celebração da Eucaristia num barco, no meio do mar da Galileia, que Jesus tantas vezes terá cruzado, contemplando lugares bíblicos (o monte da multiplicação dos pães, o local onde os apóstolos foram chamados e outros pescadores lavavam as redes, …)? Só experimentando.
Quanta alegria nos invadiu quando, na primeira noite em Nazaré, pudemos participar numa procissão de velas e no terço, rezado na Basílica da Anunciação, e ouvimos cantar (e com que entusiasmo cantámos) o «Ave de Fátima» em terras de Nossa Senhora!
Que significativo foi, para os casais que participaram na peregrinação, poderem renovar o seu compromisso matrimonial em Caná da Galileia.
Com que emoção contemplámos pela primeira vez a cidade de Jerusalém, à noite, na nossa chegada à cidade Santa, saudada não só com a oração mas também com o provar do vinho que nos aguardava.
Não teria este jornal espaço suficiente para descrevermos as maravilhas que pudemos viver nos quatro dias em que permanecemos em Jerusalém. Como descrever o que sentimos ao celebrar a Eucaristia na gruta de Belém e no Santo Sepulcro?
Com que entusiasmo pudemos estar fisicamente presentes nos locais que contemplamos no Rosário (e tivemos o privilégio de os conhecer todos, com excepção da Coroação de Nossa Senhora – esse o contemplaremos, certamente, na Jerusalém Celeste).
Recordamos como momento alto desta peregrinação as duas vezes que o grupo foi rezar ao Santo Sepulcro – local onde 20 peregrinos, por seu desejo e iniciativa, passaram uma noite em adoração. Foi emocionante, quando na manhã seguinte, muito, cedo, os adoradores nocturnos e o restante grupo se juntaram para percorrerem o caminho da Via-sacra.
Sentimos que todo o grupo, através dos vinte, esteve toda a noite presente no Santo Sepulcro.
Como esquecer o acolhimento que tivemos no Patriarcado Greco-Melquita, onde fomos entregar uma oferta de 7.000 euros para ajudar os cristãos dependentes desta Igreja? Foi marcante a pobreza, pois que o refresco oferecido foi apresentado em pequenos copos de plástico, mas foi notória a alegria e gratidão com que nos receberam. O Patriarca vincou de novo a extraordinária ajuda que a nossa Diocese deu, ao vender tantos milhares de terços e 150 presépios, tendo, para além da possibilidade de trabalho que deu, entregue 20.000 euros como partilha. Tudo isto nos une muito mais aos nossos irmãos na fé, que, devido às grandes dificuldades, são cada vez menos na Terra Santa. É que as condições de vida, para os cristãos, são terrivelmente difíceis. Rezemos por eles e continuemos a partilhar.
Ao longo da peregrinação, tivemos sempre presentes, no coração e nas nossas orações, as nossas famílias e amigos mas também, de modo especial, o nosso Bispo, os nossos catequistas, crianças, adolescentes e jovens da catequese e todo o povo da diocese de Aveiro.
Não faltaram, na viagem, na ida e no regresso, algumas contrariedades (atrasos de várias horas, bagagem que não aparecia, malas partidas); mas esses acontecimentos não perturbaram nunca o espírito de peregrinação, que manteve sempre profundamente unido todo o grupo. Tudo foi vivido com o coração em Deus.
Chegámos felizes por rever casa, família, amigos; mas um pedacinho do nosso coração ficou, indubitavelmente, em Jerusalém.
Nos poucos dias que já passaram, as palavras do Evangelho têm já um sentido profundo em nós (por exemplo, ao ouvirmos, no segundo domin-go da Quaresma, a proclamação do Evangelho da Transfiguração de Jesus – sentimo-nos, de imediato, “transportados” ao local dos acontecimentos e aí a reviver, em acção de graças, o dom extraordinário que Deus nos concedeu, em irmos à Terra Santa e sentirmo-nos mais comprometidos em acolher a Salvação que Deus nos concede).
Foi com muita emoção que nos despedimos de Jerusalém, na esperança de lá podermos voltar, rezando para que o maior número de cristãos possa ter o privilégio de percorrer os lugares santos. O povo de Deus é peregrino. Porque não peregrinar, uma vez na vida, à Terra Santa?
Secretariado Diocesano de Catequese de Infância e Adolescência de Aveiro
* Versículo do Salmo 136(137)
