
Sebastião de Magalhães Lima notabilizou-se como advogado, político republicano e socialista, escritor, jornalista (fundador de “O Século”) e grão-mestre da maçonaria portuguesa.
Sebastião de Magalhães Lima nasceu na cidade brasileira de Rio de Janeiro, no dia 30 de maio de 1850, e faleceu em Lisboa, no dia 7 de dezembro de 1928. Era filho do aveirense Sebastião de Carvalho e Lima e da brasileira Leocádia Rodrigues Pinto de Magalhães. Era irmão de Jaime de Magalhães Lima.
Os pais de Sebastião de Magalhães Lima regressaram a Aveiro quando este tinha 4 anos de idade. Mais tarde, em Lisboa, frequentou o Colégio Alemão e o Liceu. No ano de 1870, matriculou-se na Universidade de Coimbra.
Em Coimbra, começou a ser notado devido às suas opiniões republicanas e à forma como as defendia, passando, nessa época, a colaborar em vários periódicos políticos e literários, sendo um dos fundadores do jornal “Distrito de Aveiro”. Nessa altura estreou-se como escritor ao publicar “Miniaturas românticas”, “Martírio de um anjo”, “Amour et Champagne”, obras inseridas na corrente tardia do romantismo português.
Concluiu a sua formatura em 1875, com a classificação de distinto. Nesse mesmo ano, ainda em Coimbra, começou a exercer a advocacia, transferindo-se depois para Lisboa. Nos finais da 1870, afastou-se progressivamente da advocacia para se dedicar ao jornalismo e à política.
Em 1921, fundou a Liga Portuguesa dos Direitos do Homem. No dia 29 de abril de 1919, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito.
Faleceu em Lisboa a 7 de dezembro de 1928, já sob o regime do Estado Novo, facto que não impediu que o seu funeral tivesse reunido milhares de pessoas.
Fundador de “O Século”
Sebastião de Magalhães Lima iniciou a sua carreira de jornalista, conotado com a área republicana e socialista, no dia 1 de maio de 1873, com um artigo publicado no semanário “A Republica Portugueza”, passando a colaborar em vários jornais de pendor republicano. Fez parte da chamada Geração de 70, convivendo com os mais importantes intelectuais portugueses do último quartel do século XIX.
Em simultâneo com a advocacia, continuou a colaborar na imprensa republicana, nomeadamente em periódicos como “Democracia”, “Distrito de Aveiro”, “Mosaico” e “Jornal de Lisboa”. No final dos anos 70, escreveu os panfletos “O Espectro de Juvenal”, em que defendia o regime republicano e atacava as instituições da monarquia constitucional portuguesa.
Em maio de 1878, quando da assinatura do Tratado de Lourenço Marques, Sebastião de Magalhães Lima assumiu violentos ataques ao governo, não só em jornais mas também como orador principal nos comícios oposicionistas então realizados.
No ano seguinte, fundou o “Comércio de Portugal”. Em 1880, integrou a comissão executiva da imprensa nas grandes comemorações do centenário de Luís de Camões. Em 1881, em parceria com destacados republicanos, fundou “O Século”, que passou a dirigir. A violência de alguns dos artigos publicados no jornal levou-o a ser processado e a passar algum tempo preso e a um duelo ao sabre com Pinheiro Chagas, então diretor do “Diário da Manhã”, em que este ficou ligeiramente ferido.
Nos finais da década de 1890, dirigiu os jornais “A Folha do Povo” e “A Vanguarda”.
Foi dirigente da Associação de Jornalistas e Homens de Letras de Lisboa, instituição que representou nos congressos de jornalismo que se realizaram em Estocolmo, Paris, Lisboa, Roma e Viena.
Político republicano
No início da década de 1890, Sebastião de Magalhães Lima passou a ser um dos principais vultos do Partido Republicano, defendendo um republicanismo de pendor socialista utópico, advogando, no entanto, um entendimento entre a burguesia e o proletariado. Quando do ultimato britânico de 1890, encabeçou a contestação antibritânica e antimonárquica.
Durante o governo de João Franco (1906 a 1908), Sebastião de Magalhães Lima esteve exilado em França para escapar às perseguições de que foi alvo. Regressou após o regicídio (1908). Foi membro do Diretório do Partido Republicano Português. No verão de 1910, como delegado dos republicanos e socialistas portugueses, participou em várias reuniões internacionais realizadas em Espanha, Itália e França. No dia 5 de outubro de 1910, quando a república foi proclamada em Portugal, encontrava-se em Paris.
Foi deputado à Assembleia Constituinte de 1911, na qual foi escolhido como relator da Constituição da República Portuguesa de 1911. No Congresso da República candidatou-se às eleições presidenciais de 24 de agosto de 1911, nas quais foi eleito Manuel de Arriaga. Exerceu as funções de Ministro da Instrução Pública de 17 de maio a 19 de junho de 1915, no governo presidido por José Ribeiro de Castro.
Cardoso Ferreira

Grão-mestre da maçonaria portuguesa
No ano de 1874, Sebastião de Magalhães Lima foi iniciado na Loja Perseverança, n.º 74, em Coimbra, do Grande Oriente Lusitano Unido. A partir de 1890 fundou e esteve ligado a várias lojas maçónicas de Lisboa, chegando a Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano Unido, o décimo, em 1907. Na sua última mensagem como grão-mestre, em 1928, condenou a opressão que o regime ditatorial impusera ao seu país desde 1926, afirmando que os conceitos de Pátria e de Liberdade eram sinónimos.
Vida e obra do “sacerdote laico” em livro
A vida e obra de Sebastião de Magalhães Lima foram o tema da tese de dissertação de mestrado de Maria Rita Lino Garnel, defendida em 1998 na Faculdade de Letras de Coimbra. Em 2004, a tese deu origem ao livro “A República de Sebastião de Magalhães Lima”, no qual a autora demonstra que este aveirense ocupou um lugar proeminente na cultura política e histórica do seu tempo.
A pluralidade de desempenhos em prol dos direitos humanos, o ideal de cidadania ativa e a universalidade dos valores da liberdade, da justiça, da solidariedade e da tolerância foram motivos suficientes para que Sebastião de Magalhães Lima fosse apelidado de “sacerdote laico”.
