XI Domingo do Tempo Comum
Leituras: Ez 17,22-24; Sl 91 (92); 2 Cor 5,6-10; Mc 4,26-34
Depois de termos contemplado o nosso Deus nas festas da Santíssima Trindade e do Corpo de Deus, somos convidados, neste Domingo, a contemplar a realidade que surge quando Ele entra em contacto com a história dos homens e estes confiam e esperam no seu dinamismo de Vida e de Amor. É a realidade do Reino de Deus de que Jesus fala no Evangelho através de duas parábolas: a da semente lançada à terra que cresce dia e noite sem o semeador saber como, e a do pequeno grão de mostarda que quando cresce torna-se a maior de todas as plantas da horta.
Jesus, a Palavra do Pai, é a semente lançada à terra que, de uma forma especial e única entrou em contacto com a humanidade. Esta humanidade, quando crê na força do Seu Amor, torna-se numa árvore capaz de abrigar a todos à sua sombra (cf. Mc 4,32). Este sonho de um mundo novo, de um mundo onde possam conviver em paz raças e culturas diferentes, onde o valor de cada pessoa é reconhecido, onde não existem guerra nem dor…, está inscrito no nosso coração. Deus dá-nos a garantia de que esse sonho, n’Ele, já é uma realidade. Por isso, o Reino de que Jesus fala, responde aos desejos mais profundos do nosso coração e isso enche-nos de esperança.
A vida que a semente encerra tem força para chegar a ser uma grande árvore, ou seja a Vida que Deus nos dá em Jesus, quando O acolhemos e vivemos como Ele, tem força para nos fazer capazes de acolher e de ser acolhidos, de dar sentido e descobrir o valor da vida de cada pessoa. Essa Vida em nós tem força para que criemos fraternidade e construamos relações saudáveis, onde cada um é respeitado e cresce ao seu ritmo. A força que a Palavra de Deus teve e continua a ter na vida de pessoas concretas e nas nossas próprias vidas é sinal de esperança, é sinal de que esta pode chegar a transformar ambientes e corações onde o conformismo e a desesperança ainda prevalecem. Assim, a esperança cristã não nos aliena, nem desresponsabiliza, mas faz-nos lutar para que venha o Seu Reino, como rezamos no Pai-nosso.
A primeira parábola do Evangelho, é um convite à confiança. Se por um lado vemos sinais de esperança, por outro, pode parecer que aos nossos olhos não acontece nada. É aí que somos chamados a confiar que é Deus quem faz crescer a semente, sem que nós saibamos como (cf. Mc 4,27). Muitas vezes, a nossa limitação não nos deixa ver, mas é com confiança que podemos abandonar-nos nas mãos d’Aquele que conhece a força da Sua Palavra e do Seu Amor.
Na segunda leitura, S. Paulo também afirma: “ Nós estamos sempre cheios de confiança, sabendo que enquanto habitarmos neste corpo, vivemos como exilados, longe do Senhor, pois caminhamos à luz da fé e não da visão clara”. Vivemos longe do Senhor, não porque Ele esteja longe, mas porque ainda não vemos com toda a claridade esse Reino que Ele preparou para nós. Caminhamos à luz da fé até que um dia, cara a cara com Ele, veremos claramente, saberemos e saborearemos em plenitude o que é o Reino de Deus. Deixemos que Ele nos encha de confiança para viver e saborear desde já os frutos do Seu Reino que vão crescendo à nossa volta.
Filipa Amaro, FMVD
