Será que ainda vai a tempo?

Colaboração dos leitores Há uns anos a esta parte, todos, pais, encarregados de educação e o próprio Ministério da Tutela, uniram-se em coro para desprestigiar a classe docente.

Na sua opinião, expressa muitas vezes, os professores eram incompetentes, corruptos no modo como justificavam as «muitas» faltas que davam, não tinham brio na profissão, etc. Todos se lembram, com certeza…

Postas as coisas nestes termos, os pais, alunos e encarregados de educação, com o aval do Ministério, começaram a tratar os professores de um modo que eu considero indecoroso. Os professores só tinham por seu lado os Sindicatos, que nem sempre agiam da melhor forma.

Com tais rótulos, os professores foram perdendo autoridade e os Conselhos Executivos não tinham mão no processo de degradação da imagem da classe docente.

Aproveitando a situação, os alunos tomaram o pulso e passaram a mandar mais que os professores. E, se algum professor se «atrevesse» a repreender um dos pimpolhos (verdadeiros energúmenos, nalguns casos), tinha uma espera dos pais ou encarregados de educação, que passava da agressão verbal para a agressão física. Com o exemplo vindo de cima, os alunos acharam que podiam fazer o mesmo. Uma aluna que agrediu uma professora, entrevistada para o Telejornal disse: “Ela (a professora) falou-me alto e eu disse-lhe – fale-me baixo; como ela não o fez, eu fui-lhe à cara”. E, como estes, muitos mais casos, até que chegamos ao ponto de uma bisavó ameaçar uma professora com uma faca. Isto não só na rua, nas imediações da Escola, mas dentro do próprio recinto escolar.

Iniciativas como «Escola Segura» da PSP não resultaram em pleno, pelo que muitos professores se viram na necessidade de meter baixa psiquiátrica, por entrarem em depressão só de pensar no que lhes podia acontecer na Escola.

Agora que as coisas estão ao rubro, a Ministra da Educação vem, com ar seráfico, anunciar que os alunos que tentem ou agridam um professor devem ser castigados, até com expulsão, se necessário.

Agora, Senhora Ministra, não será mesmo muito tarde? Deitar a baixo um muro demora pouco, mas levantá-lo de novo demora tempo e até é capaz de não ficar tão direito como o primitivo.

A ver vamos. Não quero ser pessimista; dou-lhe o benefício da dúvida, mas peço-lhe que não se assuste com a contestação que vai ter e não volte com a palavra atrás, coisa que este Governo nos habituou a que aconteça.

Maria Fernanda Barroca

P.S. E já agora um conselho aos (e às) professores: arranjem-se decentemente, quando vão dar aulas e não apareçam, eles, com a barba por fazer, mesmo que seja moda, e esfarrapados, e elas, com a roupa ponta abaixo, ponta acima, e por vezes com défice de pudor.