No dia 20 de fevereiro, no seminário de Santa Joana Princesa, Aveiro, o DPJA (Departamento da Pastoral Juvenil de Aveiro) promoveu o (Em)Forma, iniciativa aberta aos agentes da educação cristã do SDEC (Secretariado Diocesano de Educação Cristã).
“Ser Misericórdia” foi o tema escolhido e não faltaram motivos para analisarmos esta temática precisamente no decorrer dum ano em que o Papa nos “provoca” em cada dia para agirmos mais em misericórdia.
O painel de convidados teve como orador inicial António Marujo, que, através de várias referências bibliográficas, abordou a Misericórdia pela perspetiva do Papa, de cada um de nós e através da Bíblia. Daí pudemos mesmo reter as obras de misericórdia em 7 palavras principais.
Perdão
Podemos ver esta atitude em muitas passagens bíblicas, mas onde a destacamos mais é na parábola do filho pródigo. É o papel que cada cristão, nos dias de hoje, deve ter. É a capacidade de abrir os braços, de acolher e saber perdoar. Ouvimos tantas vezes “Perdoo, mas não esqueço”, e ainda bem, porque perdoar é bem mais que isso. Este perdão é artéria mais preciosa em qualquer tipo de relação.
Criação
A misericórdia está inerente na criação por fenómenos e pela nossa própria criação. Devemos cuidar do nosso futuro tendo por pano de fundo as 14 obras da fé, pois o mundo precisa de nós. Preservando esta criação é necessário ter a consciência que não devemos construir muros. Afinal, quem constrói pontes é, de facto, cristão.
Preocupação
Estar disponível para acordar a nossa consciência adormecida e entrar no coração do evangelho. Não podemos aceitar esta globalização da indiferença. É necessário saber chorar sobre estas mortes. É daí que surge este sentimento espontâneo de preocupação para com o próximo, não ajudando-o apenas nas suas dificuldades, mas também percorrendo o caminho com ele. Deus está presente nos atos de cada um de nós.
Estar à escuta
Há imensas feridas, devemos estar à alerta para escutar o grito das pessoas.
Devemos escutar para saber quem precisa de nós, quem são os refugiados do nosso meio… E o melhor exemplo disso pode ser lido no Evangelho segundo São Mateus: “Olhou-o com misericórdia e escolheu-o”.
Dar
Muitas vezes deixamos de ver o outro e tudo aquilo que se passa à nossa volta e isso é um sinal de egoísmo. Entendamos que no outro está um pedaço de Deus. Quanto mais viva for a consciência da nossa miséria, maior será a capacidade de acolher e de ser misericórdia perante os feridos que surgem no nosso caminho.
Conversão
Qualquer pessoa deverá encontrar um oásis de misericórdia. À luz desta ideia, relembramos o Sínodo que o Papa convocou sobre a família. Mesmo aqueles que cometem crimes devem ter um oásis onde o apelo à conversão aconteça. A voz do Pai vai para além da justiça, não esquecendo a prevenção e a reinserção.
Rosto
Precisa de um rosto alegre para espalhar a alegria de forma simples. A misericórdia ou tem rosto ou não é misericórdia. É a nossa alegria, a forma de estar simples, a entrega a Deus confiando-lhe o nosso coração.
Num segundo momento da manhã, cada um dos 70 participantes teve a oportunidade de ficar a conhecer atitudes da nossa diocese que põem em prática diariamente uma ou mais obras de misericórdia.
Durante a tarde, o P.e Marcelino provocou os participantes, incentivando-os a arregaçarem mangas e a trabalharem as obras de misericórdia. Referiu que cada um deve ser criativo na forma de fazer catequese tocando estas três fases _ cabeça, coração e mãos! “Inovem na forma de abordar os assuntos. Desta forma, eles sentem os momentos e memorizam com a cabeça e com o coração os ensinamentos. Podemos saber tudo sobre o catolicismo, contudo este saber não é o suficiente para sermos cristãos. Mais do que memorizar é preciso cumprir, pôr em prática.”
DPJAveiro

