Só resta encerrar a Linha do Vouga?

Comunidade Governo PS propõe

e governo PSD/CDS encerra

Agora que o actual governo (PSD/CDS) quer encerrar o que resta da Linha do Vale do Vouga, a linha que liga Espinho e Aveiro, passando por St.ª Maria da Feira, Oliveira de Azeméis, Albergaria-a-Velha, Sernada e Águeda, numa extensão de 96 quilómetros, depois do governo anterior (PS) ter proposto o encerramento de 800 Km de linha no memorando da «Troika», que inclui esta via de bitola estreita, é de perguntar para que é que se investiram 3,7 milhões de euros na automatização 52 passagens de nível e noutras obras de conservação da via.

Tal como na barragem de Vila Nova de Foz Côa, onde tinham sido gastos 80 milhões de contos, que assim foram deitados pela água abaixo, continua-se a estragar dinheiro num país em crise para depois todos nós, contribuintes, termos de pagar a factura através dos impostos e dos cortes já anunciados.

Gastar cerca de 80 milhões de contos numa barragem para deitar ao lixo e agora, somente na Linha do Vouga, 3,7 milhões de euros, é uma irresponsabilidade de quem nos governa!

Qualquer cidadão/contribuinte tem o direito de levantar a voz perante estes factos concretos

Como é sabido, vários presidentes de Câmara já levantaram a voz contra esta medida que acaba de penalizar algumas populações. O presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis não se coibiu de afirmar de “histórica” e “útil” esta Linha do Vale do Vouga, que atravessa o seu concelho e cidade, e classificou o anunciado encerramento da via ferroviária para finais do ano no Plano Estratégico dos Transportes (PET), como um erro das empresas públicas do sector.

Para além da Linha do Vale do Vouga, irão encerrar as do Leste, do Oeste, entre Caldas da Rainha e Figueira da Foz, e da Linha do Alentejo, entre Beja e Funcheira. Estas linhas servem cerca de 830 mil pessoas.

As reacções dos cidadãos de Albergaria-a-Velha e da Branca, mas também no Pinheiro da Bemposta e Oliveira de Azeméis são diversas: uns nada ligam ou não se importam, mas também aparecem os indignados, que até dizem que com estes políticos que temos no nosso país nunca mais irão votar. E dizem-no com revolta, porque o dinheiro custa a ganhar e a via, se fosse modernizada e se se adaptassem os horários, seria mais útil.

Porque razão é que a linha do Vale do Vouga não é vendida a privados?

Até podia aparecer alguém que a quisesse adquirir e transformar, por exemplo, “numa linha de metro de superfície”, como algumas câmaras da região chegaram a equacionar.

Com a venda desta infra-estrutura ferroviária numa zona de potencialidades turísticas, o Estado poderia encaixar muito dinheiro, que poderia ser útil para os seus cofres e aliviar o bolso dos contribuintes e dos mais carenciados.

Com estas afirmações não estamos a colocar-nos ao lado de qualquer partido político, mas sim a defender interesses colectivos e não os mesquinhos interesses instalados. Os transportes rodoviários são bastante mais poluentes em termos ambientais, pelo que não são, nem podem ser, uma boa alternativa numa altura em que o planeta está mais que doente.

As ecopistas não são necessárias. É preciso é trabalho para a juventude que aspira a um emprego

Estamos a falar, neste trajecto da Linha do Vouga, de uma via que se estende por perto do litoral, onde nada falta. Construir uma ecopista no sítio da linha para “encher o olho”, no entender de muitos, é continuar a esbanjar dinheiro dos contribuintes, já que não faltam espaços lúdicos onde se possa conviver com a natureza e desfrutar dos mais variados passeios.

Estamos a falar de Albergaria-a-Velha e até mesmo da vila da Branca, no norte do concelho, com uma grande mancha florestal variada, com caminhos e trilhos pedestres onde se pode contemplar a natureza através de cursos de água, montes, miradouros e vales, apesar das vicissitudes dos incêndios, que infelizmente ainda não acabaram.

As bonitas paisagens da serra, de onde se pode observar o mar e a ria desde Ovar a Aveiro e os barcos sulcando as águas, são uma realidade, apesar de ainda pairar sobre nós a ameaça da desnecessária A32. Este caso é outra forma de esbanjar dinheiro ao país. Nada justifica esta terceira auto-estrada num espaço de pouco mais de 6 quilómetros. Mas a teimosia parece que ainda persiste!

Alírio Silva, Branca