Texto Que eu me entregue ao arrependimento; que eu me una a Cristo pela razão e grite: Concede-me o perdão das minhas faltas, para que de Ti receba, Tu só que és bom, a absolvição e a vida eterna.
Moisés e Elias, essas torres de fogo, foram grandes nas suas obras. Foram os primeiros de entre os profetas a falar livremente a Deus e a comprazer-se n’Ele, a aproximar-se para Lhe rezar e falar face a face, facto admirável e incrível. Mas, apesar disso, não deixaram de recorrer ao jejum, que os unia a Deus.
Pelo jejum são os demónios afastados como pela espada, porque não suportam os benefícios do jejum. O que eles adoram são a folia e a embriaguez. Por isso, ao olharem o rosto do jejum, não podem tolerá-lo e fogem para bem longe, como nos ensina o Senhor nosso Deus: «Estes demónios podem ser expulsos pelo jejum e pela oração» (Mc 9,28). É por isso que o jejum nos traz a vida eterna.
O jejum devolve aos que o seguem a habitação paterna de onde Adão foi expulso. Foi o próprio Deus, o amigo dos homens, que confiou o homem ao jejum como a uma mãe extremosa ou a um mestre, tendo-o proibido de provar apenas duma árvore.
Tivesse o homem observado esse jejum e viveria para sempre com os anjos. Ao rejeitá-lo, causou para si a dor e a morte, a fereza dos espinhos e das silvas, e a angústia duma vida dolorosa. Ora, se o jejum se revelou proveitoso no Paraíso, quanto mais o não será neste mundo para nos proporcionar a vida eterna.
S. Romano Melodista, poeta e compositor teólogo. Viveu na Síria, no séc. VI.
