Reabriu no Domingo passado “É difícil fazer obras em casa”, ouvia-se na introdução à celebração. A Sé é a casa de todos os paroquianos da Glória, mas também de todos os diocesanos de Aveiro. Por isso, a alegria e satisfação pelo fim das obras são sentimentos que extravasam os limites da paróquia da Glória.
D. António Francisco, presidindo à primeira Eucaristia após quatro meses de fecho ao culto (de Outubro até finais de Março, as obras dificultaram, mas não impediram as celebrações), lembrou que o Papa Pio XI confirmou a Igreja de N.ª Sr.ª da Glória como igreja catedral, há 70 anos. Sendo “Igreja-mãe da Diocese”, “queremos [dela] cuidar e acompanhar com particular desvelo e carinho, com particular dedicação”, afirmou o Bispo de Aveiro, depois de notar que o dia 27 de Julho “há muitos meses era esperado” e de agradecer a “generosidade que as obras espelham”.
D. António Francisco sublinhou que, “renovado o templo material”, o “cuidado pastoral com a comunidade” tem melhores condições para ser feito, seja através de sa-cramentos, celebrações, “iniciativas pastorais” ou da «simples» “oração de tantos que aqui entram”. No “meio da cidade”, a igreja é “sinal de bênção e luz”, “conforto e ânimo”, “silêncio e oração”.
Sabedoria e redes
Fazendo eco das leituras da liturgia dominical, o Bispo de Aveiro notou que o silêncio de um templo é o espaço favorável para “implorar de Deus, para lá da sabedoria, da ciência, um coração sábio e santo”. Ao rei Salomão, que construiu o primeiro templo de Jerusalém, fora dada a maior sabedoria, conforme foi proclamado na leitura do livro dos Reis. Notando que a metáfora da rede (o Reino de Deus é semelhante a uma rede que pesca bom e mau peixe, que tem de ser escolhido pelos pescadores – dizia o evangelho de Mateus) tem mais sentido em terra com grandes tradições marítimas, como é Aveiro, D. António Francisco sublinhou que, quando as redes não são “tecidas por fios de egoísmo, ambição ou artificialidade”, dão melhores frutos, são mais criativas. Referia-se às redes que os organismos e os cristãos podem estabelecer em prol do bem; e por isso concluiu: “Sejam redes trabalhadas por Deus, com os fios seguros do seu amor”.
Numa nota final, o Bispo de Aveiro lembrou que o último Domingo de Julho é habitualmente usado pelas dioceses como dia de ordenações, havendo quatro em Viana do Castelo e três no Funchal, e anunciou que, na “sóbria, digna e bela” Sé de Aveiro, no dia 17 de Agosto, será ordenado Johonny Freire (ver notícia página 3). Será a primeira ordenação sacerdotal de D. António Francisco na Diocese de Aveiro.
À celebração da Eucaristia seguiu-se um almoço partilhado, aberto aos paroquianos e a outros convidados, nas instalações da paróquia.
J.P.F.
É difícil fazer obras em casa
A experiência diz-nos que é difícil fazer obras em casa. De vez em quando, pintamos paredes, mudamos a canalização, arrancamos alcatifa, pomos soalho novo. E se não tivermos alternativa, ficamos em casa. Mas às vezes é preciso fechar as portas e sair. Foi o que nos aconteceu.
A nossa casa principal esteve fechada durante quatro meses, mas dela fomos tendo notícias semanalmente, e o “está quase” anunciado no Diálogo transforma-se HOJE num “já está”. Aqui estamos, pois, hoje, dia 27 de Julho, para a Eucaristia, na morada de Deus, que nos acolheu em outros espaços tão diferentes, ao longo destes 118 dias.
Antes de fechar, fomos acompanhando os trabalhos e celebrámos a Páscoa com a igreja em obras; contribuímos para a campanha do telhado e partilhámos os nossos rendimentos para o pagamento de despesas.
Ao entrarmos, hoje, neste espaço renovado, verificamos que, apesar de termos estado ausentes do local, o espírito paroquial se fortaleceu, não só porque fomos acolhidos sempre pelo mesmo Deus nas diversas igrejas que nos receberam, a Igreja de Santo António e a do Seminário de Aveiro, correspondendo a cerca de 270 celebrações da eucaristia, mas também porque demos continuidade a projectos comunitários: o Centro Paroquial concretizou-se, o Dia da Comunidade Paroquial congregou inúmeros paroquianos numa presença ritmada pela alegria, os Santos Populares imprimiram o habitual colorido à cidade; os sacramentos do baptismo, da comunhão, da reconciliação e da confirmação, bem como as festas das catequeses celebraram-se com grande solenidade ao longo destes meses. Muitas horas de trabalho e muito cansaço reconhecem-se hoje com incomensurável alegria e são motivo de agradecimento a todos quantos se esforçaram por concretizar esta obra de vulto.
A nossa casa principal esteve fechada com algum transtorno para muitos de nós. Talvez tenha sido esta uma forma de valorizarmos o que temos: a Sé é o ponto de convergência das nossas vidas, num percurso habitual que nos traz das nossas casas particulares à grande Casa do Pai. A Sé é o espaço físico onde encontramos Jesus Cristo Sacramentado, onde renovamos forças para O reconhecer nos nossos irmãos, numa atenção ao próximo, seguindo o pregão que o senhor Bispo tem lançado neste ano e que continuará a ser preocupação do próximo ano pastoral: “Os pobres não podem esperar.”
A Sé de Aveiro é a sua Igreja, senhor Bispo, e é com grande alegria que o reencontramos hoje, na reabertura solene, para a celebração da Eucaristia, dando graças a Deus por termos concluído esta fase da nossa vida paroquial.
Teresa Correia
(Texto lido na introdução da celebração do dia 27 de Julho)
Pároco da Glória:
“EStou feliz porque sinto que toda a paróquia está feliz e orgulhosa”
“Sei que este não é, nem pode ser, o trabalho mais importante de um pároco. Este tem que ser visto como um episódio de um trabalho bem mais profundo que eu gostaria e qualquer pároco gostaria de fazer. Renovar as pessoas, a paróquia”, afirmou o P.e Manuel João, no final da celebração.
O pároco da Glória mostrou contentamento pela conclusão das obras e recordou o susto que as desencadeou: “Em Outubro de 2006 apanhei um susto quando me chamaram à Sé porque estava a cair muita água. Nesse momento assumi que não poderíamos esperar mais. Logo ali telefonei a alguém para me ajudar a solucionar, mesmo que pontualmente, algumas fragilidades. Era preciso receber o Sr. Bispo de Aveiro, recentemente eleito, com o mínimo de dignidade. Infelizmente, nem pudemos esconder essas lacunas no dia de tomada de posse [8 de Dezembro de 2006], porque choveu”.
“Hoje estou feliz porque sinto que toda a paróquia está feliz e orgulhosa com estes melhoramentos. (…) Hoje somos uma paróquia melhor equipada e com capacidade para trabalhar na evangelização e construção do Reino de Deus, procurando o verdadeiro tesouro”, acrescentou.
P.e Manuel João realçou o empenho dos que mais se destacaram no planeamento e execução das obras (Eng.º Adelino, Arq.ª Emília, Arq.º Paulo Marinheiro e Eng.º David Leite) e da equipa de fiscalização e segurança (Eng.ºs Luísa Abreu, Giorgio, Maria João e Bernardo) e agradeceu à empresa que as executou (Antero Santos e Santos – que dias antes da abertura ofereceu a lavagem da fachada da Sé), bem como aos paroquianos. “Aceitaram o incómodo de viver quase um ano por entre poeira e em casa alheia. Foram de uma generosidade muito grande”, disse.
O pároco notou ainda que numa fase posterior é necessário cuidar das talhas douradas, altares e imagens. “Gritam recuperação urgente”, afirmou.
Ao Correio do Vouga, Pe, Manuel João informou que na Eucaristia as pessoas ofereceram 10 700 euros. No domingo anterior faltavam 70 mil euros para saldar os 500 mil que as obras custaram. Com as ofertas que chegaram durante a semana (4700 euros) mais o ofertório da reabertura, falta angariar 54 600 euros.
