Somos uma linda história de amor

Poço de Jacob – 28 Quando Jesus surpreendeu a samaritana, escolheu um momento da sua vida que poderia considerar-se como sendo sem importância. Afinal, ir buscar água ao poço era a sua rotina. Mas, se lermos a vida dos santos – e deveríamos ler muitas vidas de santos, em especial as que são científica e devotamente bem escritas -, aprendemos que, como aconteceu com eles, a nossa vida é uma linda história de amor.

Aprendi com um, grande mestre espiritual, chamado D. José Rivera Ramírez (1925-1991), cujo processo de beatificação já está no Vaticano (pode ser consultado na Internet), e que foi meu professor de espiritualidade. Ele dizia que Deus actua na vida das pessoas de algumas maneiras muito singulares que deveremos reter na memória: 1. Silenciosamente: 2. Sem pressas. 3. Eficazmente. 4. Amorosamente. 5. No dia-a-dia. Com base em santa Teresa de Avila, ensinava-nos que a sua presença em nós é VIVA, AMOROSA e ACTUANTE . Por isso, a oração é definida por ele como a consciência dessa presença de Deus em nós de maneira viva, amorosa e actuante. Rezar não é uma actividade mas um saber estar assim, sem pressas, como a Samaritana que queria conversar com Jesus. Descobrir isto ajuda-nos a ser santos. Pois, quando vemos a vida dos mesmos, vemos que tudo começa de um momento insignificante, em que Deus se nos revela no Seu amor, e depois faz história na nossa vida, como fez com o Povo de Israel. Entre os muitos proveitos em sermos assíduos leitores da Bíblia, está exactamente vermos que o que Deus fez neles quer fazer em nós, com as mesmas técnicas amorosas com que formou o Povo de Israel. Eu sou, como diz uma canção, terra sagrada, pisada por Deus, que semeia em mim o Seu amor, e faz história de salvação em mim.

Quando concluirmos a passagem neste mundo – e não interessa como, quando, onde –, ao fazermos a retrospectiva da vida, veremos que a nossa vida é deliciosamente bem escrita pela mão suave que nos conduz, como diz o salmo do Bom Pastor, apesar de, por vezes, e muitas vezes, nos fazer participantes de Sua cruz. Daí serem interessantes as hagiografias, bem escritas, claro, pois conforme vamos vendo as idades do santo, acompanha-mos os seus progressos e retrocessos, a sua vida de graça e de pecado, e vemos como Deus foi triunfando nele, a tal ponto que, chegado ao fim da vida, por vezes, ainda com tanto para fazer e com agendas cheias para o dia seguinte (que já não verá), o santo pode descansar em paz, como S. Paulo, que correu para a meta, cumpriu sua missão e guardou a fé.

Tenhas tu a história que tiveres, vivas até onde e como não escolheste, porque a vida se te impôs inexoravelmente, compreende que esta é a tua história linda, que será a tua coroa, e glorificará o Pai que está nos céus. Faz-te, pois ao caminho… E deixa Deus fazer….

P.e Vitor Espadilha