Surpresas

Querubim Silva Padre. Diretor
Querubim Silva
Padre. Diretor

A surpresa é um acontecimento, uma atitude, um dito, imprevistos, que causam impacto significativo.
Apraz-me registar duas agradáveis e interpelantes surpresas desta semana. A primeira delas é o desassombro do selecionador nacional de futebol sénior, Fernando Santos, na sua longa entrevista à Ecclesia on-line. Sobretudo surpreende a seriedade e serenidade com que desfaz os “boatos” da “fezada”, clarificando quais os alicerces da sua fé.
Antes de mais, a sua convicta participação na Eucaristia dominical. Não como uma “estratégia” para alcançar os favores divinos, em detrimento dos adversários, mas como o cumprimento de uma obrigação, que afirma ser de todos os verdadeiros cristãos.
Depois, a oração habitual, de agradecimento e petição. Sempre no desejo de que tudo seja para louvor e glória de Deus. Sem esquecer o costume de visitar o seu maior Amigo no Sacrário, lugar privilegiado do silêncio e da confidência.
E o Cristo no bolso não um amuleto mágico. É apenas o sinal que lhe lembra Aquele em Quem acredita, com Quem se comprometeu, porque sabe quanto Ele fez por si e sente que, com Ele, aconteça o que acontecer, está sempre de boa companhia.
E são princípios, atitudes, convicções que partilha com os que lhe são confiados. Ou seja: vive e testemunha. Não põe a luz debaixo do alqueire. Por isso mesmo, não tem qualquer problema em dizer o que vive e que o torna forte, sereno e feliz. Tanta gentinha, do desporto, da política, das artes, da cultura…da própria Igreja, que deveria sentir-se envergonhada pela sua cobardia!
A outra surpresa agradável foram as declarações do responsável do Vaticano pela Escola Católica, reafirmando a sua matriz, reclamando o seu direito de existir, advertindo do défice educativo com a sua exclusão.
Sem falar do nosso País, cabe bem nas entrelinhas uma crítica às políticas educativas do atual Governo. E não sei se não inclui uma interpelação aos nossos Bispos, urgindo uma posição pública clara e veemente sobre esta situação de estrangulamento efetivo da escolha educativa, encurralando a Escola católica para uma “reserva de elite”.
A surpresa má diz-se em poucas palavras. A desilusão de um Presidente da República que, mesmo antes de lhe chegar o diploma às mãos – estranho, porque nunca antes acontecido -, proclama aos quatro ventos que vai promulgar a lei sobre as “barrigas de aluguer”. Creio que se está a esquecer da maioria do eleitorado que o elegeu, para favorecer um poder usurpado, de quem não teve nenhuma maioria. Enfim: surpresas!