Tempo de festas e de gastos escandalosos e supérfluos

Uma pedrada por semana Sempre foi para mim um problema incómodo o das festas em honra de santos, padroeiros ou não das paróquias e dos lugares e, muito mais ainda, as de igual estilo, em honra da Mãe de Deus.

Não é que eu não sinta ou não compreenda que o povo tem direito a divertir-se e a encontrar-se num ambiente alegre e festivo, em família e com os amigos e convidados, idos de fora ou vindos de longe.

O problema é outro, ou seja, de o povo saber organizar as suas festas com as vertentes religiosa e lúdica, dentro dos meios de que dispõe e atento à situação que se vive à sua volta, que pode exigir moderação nas despesas e mesmo partilha com necessidades da paróquia, da comunidade local ou de grupos e de pessoas com especiais carências materiais, a pedir solidariedade fraterna.

O bairrismo das populações e a vaidade dos mordomos e das comissões estragam as festas do povo. Estes deixam-se enrolar pelos organizadores de fora, deixam-se enfeitiçar pelos nomes sonantes da música pimba, e sendo certas as despesas são cada vez mais incertas as receitas desejadas ou esperadas.

A festa verdadeira é sempre simples, congregadora e criadora de comunhão e bem estar.

Os santos que se pretendem homenagear ou apenas que sirvam de isco conveniente para as ofertas do povo, eram gente simples que vivia o cuidado dos outros como louvor a Deus.

Se os pudéssemos ouvir para além de sabermos o que eles pensavam e como viveram, sentiríamos o seu pesar por verem os seus nomes ligados a festas que por aí se fazem. Quanto lhes agradaria que as comissões com o pároco olhassem este ano para a gente mais pobre da paróquia e cortassem nas despesas para crescerem na generosidade…

E a festa não perderia nada e ganharia muito.

António Marcelino