Tempos de crise, tempos de mudança

Colaboração dos Leitores Crise financeira e alterações climáticas… parece não se ouvir falar de outra coisa… Que mudanças e alterações implicam na nossa vida, no nosso dia-a-dia? Tem de facto alterado alguma coisa?

Os tempos realmente não estão para gastos. Financeiramente vive-se uma crise mundial há alguns anos, e climaticamente as alterações que se têm sentido levam, de facto, a pensar e a constatar que temos de tomar medidas de protecção do meio ambiente.

Mas também sempre se ouviu dizer que “há males que vêm por bem” e que “não há mal que sempre dure nem bem que perdure”.

Há que saber olhar para os tempos de hoje e as circunstâncias actuais com olhar optimista e positivo.

Há, por exemplo, certos valores e certas medidas que estavam em desuso por precisamente não se estar em crise. Conceitos como poupança, reciclar, renovar, reaproveitar não estavam no nosso léxico diário. Prova disso é o número de famílias sobre-endividadas, com as casas em penhora e já habituadas a viver das “contas-ordenado”.

Convenhamos que muitos dos nossos filhos também estavam muito mal habituados: televisão e computador no quarto, telemóvel, playstation… em vez de uns bons jogos de futebol com os amigos nos fins de tarde ou ao fim-de-semana. É barato, ou por outra, não custa mesmo nada e é mais saudável.

A economia e a gestão não são matéria só de quem tira estes cursos mas de todos nós.

Finalmente estamos a aprender, à custa de erros, que não somos donos da natureza nem do mundo mas meros administradores e como tal, há que saber gerir os recursos financeiros e naturais.

Não se causa nenhum trauma aos nossos filhos se lhes dissermos que não podem ter tudo, que não podem ter o telemóvel topo de gama, roupas de marca, etc. Muito pelo contrário, faz-lhes muito bem para que também sintam que não é só pedir e receber. As coisas custam e conseguem-se com sacrifícios.

No que toca ao meio ambiente, porque não retomar umas caminhadas a pé, os transportes públicos? A própria reciclagem também não custa assim tanto e se realmente ajuda a preservar a natureza porque não fazê-la a sério?

Como tudo em excesso faz mal, o conforto e o bem-estar em demasia também nos levam à passividade, egoísmo e apatia. Pelo menos assim, pode ser que nos sintamos todos um bocadinho sacudidos.

Há que saber, pois, gerir a crise e tentar tirar dela partido para recuperar hábitos esquecidos mas muito valiosos.

Rita Parreira Oliveira