Poço de Jacob – 85 A consagração ao Coração Imaculado de Maria foi pedida por Nossa Senhora na aparição de Julho de 1917, em Fátima, e em 1929, em Tuy, quando a Lúcia fazia “hora santa”.
A “hora santa” tem origem na recordação da agonia de Jesus no Horto e corresponde a velar ao menos uma hora com o Senhor, nas quintas-feiras, entre as 22h e as 3h da manhã. A prática tornou-se recomendada pelos papas depois das aparições do Coração de Jesus a Margarida Alacoque, em Paray-le-Monial. Lúcia fazia isso sempre que a superiora lhe dava licença, ainda doroteia, na casa de Galiza.
A consagração foi feita em primeiro lugar pelo episcopado português em peso, antes da II Guerra Mundial. Lúcia dizia que por isso Portugal fora poupado da guerra, e as mulheres portuguesas confeccionaram a coroa que Nossa Senhora leva consigo nos dias 13 de cada mês. Foi nela que se incrustou de modo surpreendente a bala que atravessou o Beato João Paulo II, como se pode ler no livro de Aura Miguel, que recomendo, “O segredo que conduz o Papa”. Diz Lúcia que assim procederia Deus com as nações que lhe fossem consagradas. Portugal, por pequeno e torpe que seja, sempre será terra de Santa Maria. Depois, a consagração foi feita por Pio XII numa radio mensagem. Mas havia duas condições que teriam de ser respeitadas: nomear a Rússia e a união com todos os bispos da Igreja. Pio XII não teve isso em conta, pois os tempos eram demasiado duros na Europa para estes pormenores. Paulo VI também não o fez assim no fim do Vaticano II, por ser concílio ecuménico e o mundo estar em “guerra fria”. No entanto, intitulou Maria como Mãe da Igreja.
É João Paulo II que ensaia uma consagração em Fátima, no dia 13 de Maio de 1982, e usa o mesmo texto, unido aos bispos, em 1989, diante da imagem da capelinha que manda levar ao Vaticano. Esta consagração é aceite pelo Céu e Lúcia manda dizer ao Papa que esteja atento, pois a resposta virá do Leste europeu. De facto, Muro de Berlim, Perestroika, Solidariedade… são vestígios de que algo mudava no mundo. Uma freira de pouca cultura orientava desde Coimbra o chefe máximo da Igreja para mudar os destinos do mundo. Deus continua usando os fracos…
O Papa renova esta consagração em Fátima, na beatificação dos pastorinhos no ano 2000, e volta a pedir a presença da imagem da Capelinha no dia jubilar, corria o ano santo da redenção, em que estavam em Roma a maioria dos Bispos do mundo… Um papa mariano, que vivia a consagração a Maria aprendida num santuário de Maria perto de sua terra natal na Polónia, vivia essa consagração na linha de S. Luís Maria Grignon de Monfort, com um lema que virou força de acção para toda a Igreja: “Totus tuus”, Maria!
Consagrar-se a Maria é dar a ela a nossa liberdade para que ela, como mãe e educadora, nos configure ao seu Filho, Jesus Cristo, em Aliança de Amor, para que, em nós, como nela, Deus faça a sua vontade. Consagrar-se a Maria é dar a ela a nossa vida, aceitando tudo o que Deus previu para nós no seu projecto de amor. Fiéis, como no matrimónio, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza e por toda a nossa vida. Consagra-se a Maria é fazer do sim de Maria o lema de toda a nossa vida. Consagrar-se a Maria é entregar ao seu poder de mãe, que tudo quer por ser nossa mãe e tudo pode por ser Mãe de Deus, os rumos da nossa vida, aspirando à salvação pela santidade na vida diária, em Igreja, unidos aos nossos párocos e bispos. O símbolo da consagração é o escapulário do Carmo, que Maria apresenta em Fátima, no dia 13 de Outubro de 1917, e que devemos trazer sobre os nossos ombros, pois “escapula”, em latim, significa ombros, daí o escapulário, em pano castanho, que deve ser imposto sobre nós por um sacerdote a nosso pedido. Mas, sobretudo, consagrar-se caracteriza-se pela vivência dos Mandamentos de Deus e da Igreja, na prática do dia-a-dia, sempre, mas sempre, movidos pelo amor que fez de João Paulo II “o Grande” que aclamamos como nosso modelo e intercessor desde o passado dia 1 de Maio. “Totus tuus”, pois, Maria.
P.e Vitoe Espadilha
