“Trabalho contra o capital”

Questões Sociais Como se referiu no artigo anterior, foi recordada a luta do «trabalho contra o capital», quando estava a terminar o Seminário da Comissão Nacional Justiça e Paz, que teve lugar no dia 19 de Janeiro. O que se entende por «capital»?

Numa primeira acepção, pode afirmar-se que o «capital» é o con-junto dos meios de produção: o próprio dinheiro, o terreno, as instalações, os equipamentos, a frota de transportes e tudo o mais que seja utilizado nas actividades económicas. Em termos de lutas sociais, os detentores dos meios de produção é que formam a realidade «capital», sendo tratados por capitalistas, patronato ou por outras designações mais ou menos semelhantes.

O patronato não constitui um conjunto homogéneo. Varia imenso, consoante: a dimensão das empresas; a tecnologia utilizada; a solidez financeira; o grau de incerteza no escoamento de suas produções; as dificuldades de cobrança pelos clientes; os prazos de pagamento concedidos pelos fornecedores; o respeito pela lei e pela moral; a responsabilidade social interna e externa… Combinando estas e outras variáveis, identificam-se facilmente algumas dezenas de tipos diferentes de empresas, com poucas semelhanças entre si e até com diferenças abissais.

Tenhamos ainda em consideração (como lembrou João Paulo II na encíclica «Laborem Exercens», nº. 13) que o capital é fruto do trabalho (e da natureza) e que os capitalistas são pessoas humanas, tal como os trabalhadores. Ponderemos, ainda, que também existem diferenças abissais entre os trabalhadores, relativas por exemplo a: acesso ao emprego; estabilidade nele; remuneração; horário de trabalho e outras condições laborais; dignidade social da actividade profissional; realização pessoal no trabalho…

Neste quadro de referência, o que significa a «luta do trabalho contra o capital»? Qual é o capital e qual é o trabalho que estão aqui em causa? – Não existem respostas minimamente satisfatórias a estas questões, como bem se compreende, atendendo à diversidade e complexidade das variáveis em presença. No entanto, as correntes sindicais respondem a estas perguntas, de maneira tácita, através da sua prática e das suas posições. Quatro dessas correntes consolidaram-se desde meados do século passado, e continuam bastante activas e diferenciadas nos dias de hoje. São elas: o sindicalismo revolucionário extremista e o radical; o reformista cooperador e o submisso.

Far-se-á uma abordagem destas correntes em próximo artigo. Adianta-se entretano, desde já, que a palavra «contra» se apresenta nelas com significados diferentes: no sindicalismo revolucionário apresenta-se em sentido próprio, enquanto no reformista surge em sentido figurado, significando, fundamentalmente, a divergência de interesses e admitindo a hipótese de convergências.