Questões Sociais Aproximam-se três actos eleitorais, com indícios de que, por ora, não fizemos o «trabalho de casa» preparatório; nem as forças políticas nem os movimentos sociais nem as instituições morais nem nós próprios, salvo uma ou outra excepção. Verificam-se duas propensões negativas bastante difundidas: a irresponsabilidade financeira; e a sobranceria sociopolítica. A irresponsabilidade financeira traduz-se, particularmente, na pressão para baixar a receita pública e aumentar a despesa: baixar a receita, pela diminui-ção dos impostos e das contribuições para a segurança social; aumentar a despesa, sobretudo em prestações sociais e no apoio a empresas. A sobranceria política traduz-se no menosprezo das actividades menos dispendiosas e consideradas mais modestas. Parece que as forças dominantes, políticas ou não, vivem obcecadas pelos milhões e milhares de milhões de euros; e, por isso, não lhes resta disponibilidade para as pequenas actividades que poderiam trazer enorme valor acrescentado, desde que fossem simplesmente reconhecidas, facilitadas, aproveitadas ou beneficiárias de pequenas ajudas.
A título exemplificativo, podem referir-se as seguintes actividades: a entreajuda social de vizinhança; o voluntariado de proximidade; a economia de subsistência; as micro e pequenas empresas, qualquer que seja o sector de actividade; os saberes baseados no trabalho e na experiência em geral; os pequenos mercados locais; a capacidade local de penetração em mercados mais amplos; o conhecimento de novas oportunidades de negócio e de investimento; o conhecimento dos problemas sinalizados na acção social, pública e privada; os dinamismos do desenvolvimento local…O menosprezo destas realidades parece ter resultado da presunção de que de a economia de mercado mais dominante e o Estado resolveriam todos os problemas sociais e económicos. Tal menosprezo atingiu, fortemente, a sociedade civil, esquecendo que esta é a base do mercado e do Estado. Ela, com as suas inúmeras instituições, empresas e outras entidades, é porventura o potencial mais importante de solução de problemas; até porque está na base de tudo o mais, e sabe sobreviver nas situações mais difíceis.
Num plano menos local, também se verificam lacunas graves, cujo preenchimento não seria dispendioso; isso acontece, de-signadamente, na concertação social, a nível sectorial e «regio-nal», e nos processos participativos da regulação das actividades económicas.
Parece que o país se esmera em prescindir das medidas de política mais simples e menos dispendiosas…
