Transfiguração: Sinal que suoera a lógica e anuncia o futuro

À Luz da Palavra A liturgia deste Domingo em que celebramos a Transfiguração do Senhor dá-nos mais um elemento essencial para viver a nossa caminhada quaresmal, que é a caminhada da nossa vida inserida em Cristo. Se na semana passada o Evangelho nos fazia reconhecer que há uma realidade em nós que nos tenta afastar do projecto de Deus, esta semana fala-nos da experiência que nos mantém unidos ao Senhor, mesmo no meio de tempos difíceis. É uma experiência de intimidade com o Senhor.

“Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e subiu só com eles para um lugar retirado num alto monte e transfigurou-Se diante deles.” (Mc.9,2) Os discípulos depois de terem ouvido Jesus falar de que iria sofrer, ser rejeitado, morrer e ressuscitar, têm dificuldade em aceitar o caminho que Ele ia tomar. A transfiguração no alto do monte é sinal da ressurreição, na qual eles precisam de pôr a sua esperança para acompanhar o Mestre até ao fim.

Tal como estes discípulos, só uma experiência como esta é capaz de nos fazer ver na nossa vida diária, a Ressurreição depois da morte, a glória depois da cruz. Só isto nos fará permanecer firmes quando nada faz sentido e as coisas não acontecem como nós gostaríamos, nem segundo a nossa lógica. Deus não vem contra a nossa lógica mas leva-nos além dela.

Também nós temos dificuldade em aceitar a cruz, e mais, em encaixar isso com o facto de que somos escolhidos e amados por Deus. No entanto, Jesus mostra-nos como é possível continuar a ser Filho muito amado do Pai, mesmo quando tem de passar pela paixão. Peçamos-Lhe o dom de nos reconhecermos filhos/as amados/as do Pai mesmo no meio de situações difíceis e contraditórias.

Até àquele momento, os discípulos conheciam Jesus como um simples homem, conheciam a sua origem, os seus sonhos, o que ensinava… Na Transfiguração passam a conhecer que Ele é mais que um simples homem. Ele é de quem a lei e os profetas dão testemunho. É o enviado do Pai. “Este é o meu Filho muito amado: escutai-O” (Mc 9,7). O Pai faz ouvir a sua voz e revela-lhes o Seu amor ao enviar o Seu próprio Filho. Este dom de conhecer o amor de Deus é algo grande que faz desejar permanecer nessa experiência para sempre. Assim o expressaram os discípulos: “Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas…” (Mc 9,5).

Contudo, é preciso descer o monte, mesmo sem entender bem o que significa ressuscitar dos mortos (cf.Mc 9,10). Há uma esperança que nasceu nos seus corações mesmo que não a saibam formular.

Hoje, nós somos aqueles a quem o Pai se quer revelar, a quem quer mostrar o quanto nos ama e o quanto ama a cada ser humano. E é na intimidade com Ele que nasce no nosso coração uma esperança que nos faz avançar, sejam quais forem as circunstâncias da vida.

S. Paulo, na segunda leitura, expressa uma esperança e confiança inabaláveis no Deus que está por nós, que nos dará tudo, que nos justifica e intercede por nós. Que sejam estes os frutos do encontro íntimo com o Senhor ao longo deste tempo de Quaresma.

Filipa Amaro,FMVD