Transparência!

O encontro e as suas conclusões poderão ter passado despercebidos à maioria. Merecem, entretanto, ser trazidos à ribalta, considerado o seu realismo, também entre nós.

“Se a negação dos direitos pode ser uma questão importante onde os cristãos representam uma minoria, os cristãos podem experimentar exclusão e marginalização também onde constituem a maioria da sociedade». Esta foi uma das conclusões inequívocas da reunião dos Estados membros da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), que teve lugar na última quarta-feira, em Viena de Áustria. Pelo que os mesmos Estados se devem empenhar em alterar este estado de coisas.

O fenómeno da intolerância religiosa e da discriminação, especificamente contra os cristãos, reveste diversas formas. Para além dos ataques violentos contra pessoas, propriedades e lugares de culto, manifesta-se em restrições à liberdade de religião, de credo, de educação – mesmo quando a lei as consigna.

Não precisamos de olhar além fronteiras! Vejamos quantas tropelias o nosso Estado arranja nesta matéria, desrespeitando mesmo preceitos constitucionais. Para não falar já das impunes “imagens inadequadas da identidade e dos valores cristãos” divulgadas pelos meios de comunicação social, quantas vezes pela própria política, que levam a mal-entendidos e preconceitos.

Uma vez reconhecido o mosaico religioso que cobre estes países, entende-se que uma das recomendações seja a intensificação do diálogo inter-religioso, uma vez que muitos desafios e dificuldades são partilhados pelos membros de outras comunidades religiosas da região da OSCE.

E, para evitar “teocracias” ou tentações de fundamentalismos – incluindo o laicista! – não será descabida a adopção de medidas de “leis religiosas de acordo com os compromissos internacionais, e a assistência aos Estados e à sociedade civil para aumentar a consciência nestas questões”.

Há formas e formas de reabrir feridas! As celebrações do centenário da República poderão ser a oportunidade encontrada para sanar as do passado, em vez de provocar outras, mais subtis, mas não menos corrosivas, que estão, seguramente, nas mentes e intenções de alguns veios ocultos do poder. Caiam as máscaras! Sejamos adultos e transparentes, na busca de um futuro de liberdade autêntica, de democracia transparente!