“Um bispo nunca deixa de o ser”

Excertos da intervenção de D. António Marcelino

A Igreja de Cristo será sempre servida por homens, escolhidos para este ministério. Homens com qualidades e defeitos, como todos os outros. Sujeitos às vicissitudes da vida e do tempo, como todos os outros. Porém, como há pouco cantámos, “mudam os rostos, passam os tempos, não passa Cristo, nem muda o amor”. Essa a força determinante da Igreja. Jesus Cristo, que prometeu estar sempre connosco até ao fim dos tempos, torna-se presente pela acção do Espírito Santo que nos foi dado, Senhor que dá a vida e renova todas as coisas, força para a nossa fraqueza e, por virtude do mesmo Espírito, presente e actuante, de modo normal e diariamente, pelo ministério episcopal.

A vida de um bispo, de qualquer bispo, como membro do Colégio Apostólico e em comunhão com o Papa, Bispo de Roma e sucessor de Pedro, não é outra senão a vida de um comprometido na missão da Igreja no mundo, a tempo inteiro e por todo o tempo da sua vida.

Recebeu na ordenação episcopal, o múnus de ensinar, santificar e governar. O múnus de governar, que é o serviço da presidência da comunidade e da sua animação e coordenação, serviço da unidade na caridade e da edificação da comunhão, exerce-o cada bispo em lugar determinado e pelo tempo determinado, segundo leis da Igreja e a obediência devida ao ministério do Papa em favor de cada Igreja Particular e da Igreja Universal.

O múnus de ensinar e de santificar, fazem parte da vida do Bispo e acompanham-no, como direito e como dever, a favor de todos, crentes e não crentes, sem limites nem fronteiras de qualquer ordem.

Um bispo, por isso mesmo, nunca deixa de o ser, porque é irreversível a sua entrega à missão da Igreja de Cristo e, por esta, à comunidade dos homens e das mulheres de qualquer condição, raça ou cor.

A decisão de ficar a viver convosco, em total comunhão com o meu sucessor, é fruto da minha convicção de fé, de que o bispo, dado a uma Igreja, é dado para sempre, e a ela fica irreversivelmente unido, qualquer que seja a sua condição, idade ou saúde.

É, assim, meu desejo continuar, de modo sereno e discreto, entre vós e ao vosso serviço, disponível para aquilo que o nosso Bispo me for pedindo, e em tudo o que vos possa ser útil, na linha da minha missão.

(…) Tudo farei para que D. António Francisco, para bem de toda a Diocese e de cada um dos diocesanos, viva e actue na dedicação ao seu ministério, apoiado sempre no amor e na colaboração que todos lhe devemos.