“Uma aventura fascinante”

D. António fala dos seus 50 anos de padre “Quando nós nos entregamos a Deus de forma total, abertos às possibilidades que o Senhor nos vai mostrando através da sociedade, a vida é um desafio fascinante” – afirmou D. António Marcelino, em entrevista à Agência Ecclesia

O Bispo de Aveiro, falando a propósito dos 50 anos de vida sacerdotal, faz um balanço da sua vida: “O Senhor foi-me tomando pela não, aqui e ali, nos êxitos e nos fracassos, mas sempre como amigo. Ofereceu-me possibilidades que não imaginava, ao serviço do Evangelho, purificou outras coisas, e é uma aventura apaixonante, quando sentimos isso.” D. António Marcelino, que comemorou 50 anos de padre no dia 9 de Junho, afirma que “sonhava ser um pároco”, na sua diocese de Portalegre; no entanto, Deus trocou-lhe as voltas e conduziu-o até Roma, para estudar. Na Cidade Eterna sentiu a catolicidade da Igreja. De novo em Portugal, trabalhou no Seminário de Portalegre e viveu com grande paixão os tempos pós-conciliares, viajando por todo o país e por África, aonde foi cinco anos seguidos, “dando as minhas férias e até mais do que isso”. “Gosto de dizer que não fiz passeios, fiz caminhadas de trabalho”, diz D. António sobre esses tempos de “retiros e encontros, um trabalho intensivo, verdadeiramente louco”.

Paixão e entusiasmo no trabalho apostólico estão presentes várias vezes na entrevista, como quando o Bispo de Aveiro reconhece momentos de debilidade física (“De vez em quando, surgiram doenças graves, como hepatites e hemorragias (…) Senti que o Senhor mostrava a sua força nas nossas debilidades, pelo que me levantava facilmente quando caía”), descarta alguma crítica de “activismo” (“Sou dinâmico, isso sim, apaixonado, sentia sempre presente a urgência do Evangelho: é preciso evangelizar, é isso que nos ajuda a viver”), ou pensa no seu modo de ser (“Nunca me conformei, nunca fui um instalado, e quando não posso fazer tudo aquilo que julgo ser necessário, fico um pouco inconformado com as limitações (…) Às vezes sinto que sou, talvez, demasiado cansativo para os meus colaboradores, porque tenho muita genica”).

Sobre o futuro, afirma D. António: “O projecto a que eu me quero dedicar até ao fim é despertar para o diálogo Igreja-Mundo, e penso que a renovação da Igreja passa pelo serviço. A Igreja ainda fica muito pelo templo; mas este é um lugar de passagem, de fortalecimento – ninguém viva dentro das igrejas”.

A entrevista, conduzida por Octávio Carmo, pode ser lida na íntegra no site da Agência Ecclesia (www. ecclesia.pt), na secção “Entrevistas”.