Frei Agostinho Leal acompanha as relíquias de Santa Teresa do Menino Jesus, desde 28 de Outubro passado, altura em que chegaram a Portugal, primeiro para o Congresso da Nova Evangelização, que decorreu em Lisboa, no início de Novembro, e depois para a peregrinação pelas dioceses
Correio do Vouga – O que destaca no final da visita ao continente?
Fr. Agostinho Leal – Destaco três aspectos: a presença dos bispos, que em todas as dioceses têm presidido a celebrações; um elevado número de sacerdotes – mas estes dois aspectos são normais; e a multidão de pessoas, de todos os extractos sociais e idades, quando por aí se diz que a fé está a morrer. Os portugueses são pessoas que procuram proximidade com a santidade.
Lembra-se de algum episódio que o sensibilizasse?
“Uma boneca para Santa Teresinha” – e pode pôr isso no título. Passou-se na Nª Srª dos Remédios, em Lamego. Uma senhora aproximou-se com a sua filha, que queria oferecer uma boneca a Santa Teresinha. Foi um gesto simples, de fé infantil, muito bonito, de muita amizade.
Em Fátima, D. Serafim, depois de falar da santidade e da pequenez, virou-se para o relicário e disse: “Se vires por aí no Céu o Francisco, a Jacinta e a Lúcia, dá-lhes um beijo por nós”.
No Entoncamento, além de montarem uma tenda com café e bolos para a veneração nocturna, um helicóptero provocou uma chuva de pétalas.
Foi sempre bem acolhida?
Sim, porque não é uma santa dos altares. É uma santa do povo. Muitos me falaram da sua relação pessoal com Teresa, porque a conheceram através da mãe, do pai, da avó. Não é uma santa dos altares, é do coração. Mas também houve casos de ausência de multidões e de veneração silenciosa. No meio da Serra da Arrábida (região de Setúbal), o relicário não coube na casa das Irmãs de Belém e ficou num palheiro, sobre um farde de palha. Para além do vistoso, há o escondido.
Como responde aos que criticam este tipo de piedade popular, que historicamente causou tantas divisões entre católicos e outras confissões cristãs?
É preciso não deturpar o sentido das relíquias. Os cristãos, desde o tempo dos mártires que veneraram relíquias. Adorar, só a Deus! Venerar é um sentimento de respeito e admiração pelo testemunho de fé e santidade que os santos deram. Se a sociedade tem os seus heróis e os celebra com fausto e engalanada, por que é que a Igreja não há-de celebrar os seus heróis? A Igreja não pode esquecer os seus modelos e guias. A forma de não esquecer é celebrar.
