Uma mulher dedicada e feliz

8 de março, Dia Internacional da Mulher Não quero deixar que passe o Dia Internacional da Mulher, oito de março, sem prestar a minha sincera homenagem àquela que eu singularmente amei – e continuo a amar; o seu nome é Margarida, a minha mãe, que já faleceu há dezenas de anos, mas que permanece viva no além eterno de Deus, na saudade e na gratidão; conto sempre com a sua amizade. Ao lado dela, não esqueço a simpática presença das minhas irmãs e das minhas sobrinhas.

Neste ano, porém, refiro uma aveirense, que, sendo ainda jovem, optou por viver num testemunho de fé em Cristo e de amor aos outros, particularmente na catequese de crianças, na formação de jovens, no diálogo com casais e na dignificação da liturgia. A sua decisão, que começou a surgir num encontro inesperado perto da foz do rio herminiense enaltecido por fados e guitarradas, foi-se abrindo para o projeto do seu dia-a-dia, convencida de que o mais importante na vida é decidir. Orientando-se sempre pelo primeiro e único amor, pressente-se que é extraordinariamente feliz. Ao vir ao mundo deram-lhe o nome invulgar de Miriam Anguelana e os apelidos de Rosas e de Visela; talvez os pais quisessem perpetuar na filha os cognomes de antigos progenitores.

Nasceu numa aldeia englobada na grande propriedade que em 1166, nas labutas da reconquista cristã, foram doadas ao poderoso mosteiro de Santa Cruz de Coimbra com o fim de serem protegidas das constantes investidas dos mouros; por isso, tal povoação era e é conhecida com o nome que proveio da designação do matagal bravio que anteriormente fora do domínio dos sarracenos. Sob a sombra das árvores, nascediças mas viçosas, lá para os lados de uma pequena ínsula no meio de um paul, brotava uma nascente de boa água que, uma vez conduzida num modesto aqueduto, matava a sede aos homens e aos animais, servindo também para a irrigação dos campos agrícolas. Ao longo da sua história, daí têm surgido homens que se distinguiram na Pátria e na Igreja, sendo modelos de lealdade e de santidade.

A Miriam Anguelana deixou-se alegremente vencer pelos exemplos da Família de Nazaré e da virgem italiana de Lucca, a qual, sem descurar os deveres domésticos, se distinguiu na dedicação aos pobres, aos prisioneiros, aos doentes e aos sofredores. Pensando em Jesus, Maria e José, ela deseja transmitir algo que ajude os casais e os jovens a serem felizes; e, recordando a venerável auxiliar dos Fratinelle, ela não perde tempo em banalidades, mas gasta-o no serviço desinteressado para bem do próximo e no serviço da Igreja. Quem a conhece na cidade e na diocese de Aveiro, admira, louva e agradece a sua dedicação, espelhada em diversificados ambientes e lugares, sem prejuízo dos seus deveres no instituto a que pertence por vocação e na casa onde trabalha há dezenas de anos.

Ouve-se frequentemente afirmar que, ao lado ou à frente de um grande homem está uma grande mulher; no caso concreto da Miriam Anguelana, a sua presença colaborante alarga-se a uma grande comunidade de homens e de mulheres, sem pretender protagonismos mas apenas viver a alegria do cumprimento do dever em cada hora e em cada momento, sem restrição nem descanso.