Isto chegou a tal ponto que, sem a Grândola e os berros de “Fascista!”, nenhum governante justifica o estatuto. A frase “O quê, ainda não te cantaram a Grândola?” é hoje usada nos corredores do poder de modo a enxovalhar os (já raros) excluídos do exercício. Se a coisa vinga, qualquer dia vereadores municipais, presidentes de junta e vogais de associações filatélicas recorrerão aos serviços dos pequenos “Zecas” para conquistar prestígio.
Alberto Gonçalves
Diário de Notícias, 03-03-2013
Há hoje muitas razões para os portugueses se queixarem da vida que levam e, portanto, muitas razões para os partidos da oposição apoiarem os protestos. Mas se a oposição pede ao Governo que tire ilações do que se passa nas ruas, também seria inteligente que a oposição tirasse as suas próprias ilações. A primeira das quais é muito fácil de tirar: os grandes protestos são organizados fora dos partidos, porque os portugueses estão descontentes com o Governo, mas a maioria não vê alternativa dentro do atual sistema.
Paulo Baldaia
Diário de Notícias, 03-03-2013
A Igreja é a instituição mais comentada fora dela. Por todo o lado se proclamam opiniões taxativas sem lhe pertencer, ou sequer simpatizar. O Cristianismo é, sem dúvida, o tema com mais treinadores de bancada. Pelo seu lado o Papado, que é o seu elemento mais criticado, exerce a espantosa atração que se vê. Não conseguem gostar dele, nem deixar de falar disso. O fenómeno merece análise.
João César das Neves
Diário de Notícias, 25-02-2013
Será preciso deitar água fria nas preocupações acerca do perfil do futuro eleito. Não porque não sejam importantes, mas ainda é mais importante passá-las para segundo plano. A insistência na configuração do novo Pontífice leva, facilmente, a pensar que basta um bom Papa para ficarem resolvidos todos os problemas.
Bento Domingues
Público, 03-03-2013
