Uma nova esperança surge na vida dos crentes

Na Arte Romana, o pastor era, em geral, expressão do sonho de uma vida serena e simples de que as pessoas, na confusão da grande cidade, sentiam saudade. Nos sarcófagos cristãos dos primeiros séculos, porém, a imagem passa a ter um conteúdo mais profundo: “O Senhor é meu pastor, nada me falta […] Mesmo que atravesse vales sombrios, nenhum mal temerei, porque estais comigo” (Sl 23,1.4).

O verdadeiro pastor é Aquele que conhece também o caminho que passa pelo vale da morte; Aquele que, mesmo na estrada da derradeira solidão, onde ninguém me pode acompanhar, caminha comigo servindo-me de guia ao atravessá-la.

Ele mesmo percorreu esta estrada, desceu ao reino da morte, venceu-a e voltou para nos acompanhar e nos dar a certeza de que, com Ele, encontramos uma passagem.

Esta era a nova “esperança” que surgia na vida dos crentes: a certeza de que existe Aquele que, mesmo na morte, me acompanha e com o seu “bastão e o seu cajado me conforta”, de modo que “não devo temer nenhum mal” (Sl 23,4).

Bento XVI, excerto do nº 6 da encíclica “Spe Salvi” (adaptado). Imagem: “O Bom Pastor”, Catacumbas de S. Pedro e S. Marcelo, Roma.