Uma questão de olhares

Poço de Jacob – 19 Não é só Jesus quem olha e nos enamora dele. Nunca acreditemos se alguém nos disser que segue Jesus para ajudar os outros. Isto tem de ser uma constante quando se segue Jesus, porque a fé só é operante pela caridade. Mas seguir Jesus, mesmo na vida sacerdotal, tem de ser porque nos apaixonamos por Ele. Radicalmente e sem medida.

Só apaixonados conseguimos amar a vida, o mundo, as pessoas, o celibato sacerdotal, que de outro modo saberia à imposição absurda. No fundo, é uma questão de olhares. Ele viu-me. Ele amou-me. Enamorou-se de mim. Chamou-me. “Seduziu-me”, como diz Jeremias.

E eu deixei-me seduzir. Entretendo-me em olhar para Ele no íntimo da minha alma, na Hóstia pura em adoração e nos membros frágeis da criança, do velhinho e do doente…

É o segredo dos que são de Cristo – custe o que custar, embora diga que só custa o que a gente não ama. Não duvido de que a samaritana deixou o quinto marido e passou a ser do número daquelas que serviam Jesus, presas do seu olhar.

O Cura d’Ars conta-nos que um idoso de Ars passava horas diante do sacrário. Um dia, o Cura teve curiosidade em saber como rezava o velhinho e perguntou-lhe. Recebeu esta resposta: “Eu não digo nada, padre. Eu olho para Ele e Ele olha para mim”. Estava tudo dito. E o essencial salvaguardado. Queres experimentar?

P.e Víctor Espadilha