Uniões contra-natura?

A confusão já chegou à linguagem. Já se chama natureza (natura) àquilo que nasce da convenção dos homens, se não mesmo da sua arbitrariedade. Com efeito, o leque político-partidário e a pluralidade de linhas ideológicas não são senão fruto da criação do homem. Nesse caso, qualquer aliança dessas forças, seja de que quadrante for, é sempre possível e nada tem de contra-natura.

Agora que o ser humano, criado homem e mulher, por natureza tenda para a união heterossexual é uma evidência. Contra-natura será, portanto, a união de pessoas do mesmo sexo. Defendê-lo e promovê-lo manifesta a pretensão de contrariar a natureza, arvorando-se em seu “dono”.

Que a fecundação origina a vida e esta, uma vez gerada, tende para o seu desenvolvimento, segundo leis próprias, é estrutura da natureza. Cortar abruptamente com esse ritmo, impedindo o seu progresso normal, a sua realização, isso sim é contra-natura.

Afinal, o queixume das uniões contra-natura, só porque contrariam uma criação dos homens ou o interesse de alguns ou de algum grupo, é mais uma ofensa à natureza do livre curso das opções humanas, da sua capacidade de mudar, de renovar, de corrigir.

Também na ordem política deveria respeitar-se o curso da natureza. E dar, por isso, prioridade àquelas coisas que são da responsabilidade do poder político, como serviço à pessoa humana e à comunidade. Em vez de se inventarem problemas que afectam uma muito escassa minoria, que não lançam ninguém no desemprego, que não põem ninguém no patamar da pobreza…, verdadeiramente fracturantes da opinião pública e da textura da problemática social.

Já agora, também soa a contra-natura um natal que nada tem a ver com o seu acontecimento originante. Melhor: que, pelo contrário, se apresenta como uma usurpação do Nascimento e mesmo uma contradição com o seu significado.

Quantas coisas, quantas uniões contra-natura perfilhamos e promovemos! Esquecidos, certamente, de que, como diz o povo, a “natureza vinga-se”! E, depois, andamos à procura de remendos, os quais, mesmo de tecido novo, postos no pano velho de consciências embotadas, só aumentam o rasgão!