Viajar ajuda a entender o mundo

Encontrámo-nos lá. Juntos, partimos à descoberta da Croácia. Juntos, percorremos as ruas de Dubrovnik, Split, Zadar, Trogir e Zagreb. Visitámos monumentos, deambulámos por ruas de cidades património da Unesco. Juntos, percebemos que a Croácia é um país jovem (independente desde 1991), mas muito rico culturalmente, pois preserva a herança do seu passado, num território que foi ocupado por vários povos, desde os croatas, aos turcos, passando pelos húngaros e pelos alemães.

Encontrámo-nos lá. Juntos, fomos recebidos na nossa língua, ouvimos os sons do fado de Coimbra que um músico tocou, quando nos ouviu falar na rua. Juntos, aprendemos frases elementares “Bom dia! Obrigada! Por favor!” Juntos, fixámos algumas palavras em croata e repeti-mo-las com a alegria da descoberta do som que entusiasma uma criança.

Encontrámo-nos lá. Juntos, admirámos a belíssima equação que o mar e a montanha, os vales e os rios nos oferecem no passeio pela costa do Adriático. Juntos, contemplámos a natureza, no Parque Natural de Plitvice, nas quedas de água e nos reflexos da vegetação em dezenas de lagos.

Encontrámo-nos lá. Juntos, passámos em revista a história da antiga Jugoslávia e das suas seis repúblicas (Bósnia-Herzegovina, Croácia, Eslovénia, Macedónia, Montenegro e Sérvia) e as suas regiões autónomas (Voivodina e Kosovo). Juntos relemos o Diário de Zlata (ed. Asa) e lembrámos a guerra em Sarajevo.

Encontrámo-nos lá. Juntos, atravessámos locais destruídos pela guerra de 1991 a 1995. Avistámos casas com marcas de obuses e outras reconstruídas, cujas paredes de tijolo ainda estão por pintar. Juntos, experimentámos o constrangimento próprio de quem relembra imagens televisivas de há pouco mais de uma década, de bósnios, croatas e sérvios refugiados em campos de concentração.

Encontrámo-nos lá. Juntos, parámos na Bósnia-Herzegovina, num misto de estupefacção pelos sete quilómetros de costa que esse país detém, no meio da Croácia, e de incómodo por estarmos num país que assistiu ao conflito mais prolongado e violento na Europa, depois da II Guerra Mundial, com 200 mil mortos. Juntos, lembrámos as tropas da NATO que ainda se encontram neste país.

Encontrámo-nos lá. Juntos, percebemos que os nossos problemas pessoais são ínfimos à vista dos de povos nossos vizinhos. De gente tão parecida connosco: um misto de eslavos e mediterrâneos, os croatas são simultaneamente melancólicos e nostálgicos, agressivos e impulsivos. Como os portugueses, pensámos.

Encontrámo-nos lá. Juntos, percebemos a universalidade da Igreja, quando a missa croata nos convidou a rezar o Glória, o Credo, o Pai-Nosso e quando comungámos o mesmo Corpo de Cristo. Juntos, alegrámo-nos com a rede global que é a Igreja e que é a Internet, pois graças a esta sabíamos qual o Evangelho que os fiéis ouviam, em diferentes línguas, pelo mundo fora. E nós ali, naquele Domingo quente que Zagreb nos oferecia.

Encontrámo-nos lá. Juntos, comentámos a ironia da história, quando ficámos a saber que a estrutura das catacumbas do palácio de Diocleciano, o maior perseguidor romano de cristãos, foi adoptada pelos grandes construtores de igrejas (formato de cruz, nave central, pilares que sustentam o telhado).

Encontrámo-nos lá. Juntos, informámo-nos sobre a escolaridade croata, agora de nove anos, mas de doze anos para as crianças que ingressarem na escola neste ano lectivo; a quase ausência de analfabetismo; a aprendizagem desde a escola primária de duas ou três línguas estrangeiras, sobretudo o italiano e o alemão, dada a situação geográfica do país. Juntos, aplaudimos a educação grátis para todos, inclusive para os estudantes universitários que revelem boas competências na sua língua materna, que apresentem problemas económicos, que sejam bons desportistas.

Encontrámo-nos lá. Juntos, compreendemos a importância das férias: conhecer novos espaços frequentados por pessoas que nos enriquecem, porque nos ajudam a entender o mundo.

Encontrámo-nos lá. Juntos, descobrimos a frase de Santo Agostinho “O mundo é um livro. Quem não viaja lê apenas uma página.”