Vida gratificante!

Olho de Lince Desejava, há muito, o reencontro com os Pais do Rui, aquele filho portador de deficiência profunda, que polarizou a vida da família durante dezasseis anos e que, nestas páginas, por altura da sua morte, dissemos ter sido o anjo da paz daquela casa.

Foi muito saborosa esta longa conversa, ao sentir o entusiasmo com que tornaram presente muito da vida vivida nesses anos todos. A mãe, exprimia-se numa grata saudade, pelo dom daquele filho, que surgiu como uma cruz pesada, a qual, todavia, se tornou, depressa, fonte de inesgotável riqueza para todos. Com os olhos marejados de lágrimas, o pai recordava, sobretudo, os momentos de repouso do trabalho, em que o Rui se tornava companhia indispensável.

A onda de relações humanas desenvolvidas, consolidadas e purificadas, foi talvez o melhor fruto do sofrimento assumido com o respeito e carinho pela vida, com o refinado sentido da paternidade e maternidade. A canseira de levar o Rui às instituições de apoio social e de educação foi largamente compensada pela experiência de acolhimento e estima por esta vida com limitações.

As dificuldades iniciais do irmão em perceber o que lhe coubera em sorte foram superadas por uma crescente empatia, que desabrochou num incondicional amor fraterno.

Afinal, um pesadelo tornou-se um lindo sonho de dezasseis anos!

Q.S.