Afirmação da força do Espírito Santo e dinâmica da luz marcaram a celebração diocesana do Pentecostes, com que se se concluiu uma etapa dedicada à oração e a liturgia.
“A hora é de vigília da noite a anunciar dias novos de missão, radicada na forma do Evangelho e voltada para o mundo a quem somos enviados como comunicadores da fé, da esperança e do amor”, afirmou o Bispo de Aveiro na Vigília de Pentecostes, que congregou centenas de cristãos, de todos os pontos da Diocese, na noite de 11 de Junho, na Sé de Aveiro. À mesma hora, como afirmou o leitor na introdução à celebração, uns “passeavam pelas ruas da cidade”, outros “aceleravam as suas motos nas estradas”, preparavam-se para “dar um pé de dança numa qualquer discoteca” ou estavam “comodamente instalados no conforto das suas casas”. “Nós preferimos parar, sintonizar «a onda» do Espírito de Deus, encontrar abrigo junto de Deus e uns dos outros, deixar-nos envolver pela paz e alegria que só o encontro profundo com Deus e com os irmãos podem dar”, disse o leitor.
Viveu-se, pois, mais de uma hora de oração, porque, disse o Bispo de Aveiro, “somos Igreja orante”, “sentimos necessidade de rezar”, “apercebemo-nos progressivamente da centralidade da oração na nossa vida e na vida das nossas comunidades”.
Concluindo uma etapa pastoral dedicada à oração e à liturgia, a terceira em ordem ao jubileu dos 75 anos da restauração da diocese, D. António Francisco afirmou: “A oração é a alma do culto cristão. É parte constitutiva da vida, da celebração, da festa e do testemunho dos crentes. Na humildade, rezamos pedindo; na esperança, rezamos agradecendo; na alegria, rezamos louvando; nas horas de fragilidade, rezamos implorando perdão; na comunhão de irmãos, rezamos construindo comunidade; no silêncio da contemplação, adoramos Deus fonte de vida. A oração não nos retira da realidade. Dá-nos uma consciência nova da realidade, vista com plena lucidez, à luz da fé e na perspectiva da salvação”.
A vigília foi também um “tempo de envio”. “Acreditamos que o Espírito Santo é a nossa luz e força e nos dá coragem para a profecia, audácia para crescer em santidade e ousadia renovada e criativa para a missão”, proclamou o Bispo de Aveiro.
A celebração ficou marcada pela dinâmica da luz. No rito penitencial, acendeu-se o círio pascal. Depois da homilia, para “saborear” o Espírito de Deus, acenderam-se as velas da assembleia a partir do círio pascal, enquanto eram explicados os sete dons do Espírito Santo.
No final da celebração, foi distribuída por todos uma pequena brochura contendo o projecto do Plano Diocesano de Pastoral Litúrgica. Pretende-se que a proposta seja reflectida em grupos, comunidades ou mesmo individualmente. A partir das diversas achegas elaborar-se-á o plano definitivo, como já aconteceu em relação à Pastoral Social. A próxima etapa pastoral será dedicada à família.
“Bispo, já rezaste?”
“Acompanha-me desde Janeiro passado aquela inesperada, surpreendente e interpelativa pergunta de uma criança de um jardim de infância na nossa diocese, que logo pela manhã quando visitava a sua escola me dizia: «Bispo, já rezaste?» E quando lhe devolvi a palavra: «Porque me fazes esta pergunta?» Ele respondeu: «Porque eu já rezei.»
Nesta resposta simples e singela de uma criança sinto a voz de uma Igreja orante, verdadeiro povo de Deus em oração: sacerdotes, diáconos, consagrados e consagradas; crianças e jovens, famílias por inteiro, aqueles que sofrem pela doença e pelas provações e aqueles que lutam por um mundo melhor.
Tenho encontrado em muitos cristãos uma maior procura de oração e sinto que existe em muitas pessoas, mesmo aparentemente mais distanciadas da fé, uma grande nostalgia de Deus e uma progressiva, ainda que discreta, busca de Deus”.
D. António Francisco. Excerto da homilia da Vigília de Pentecostes
