Revisitando o Vaticano II Ocorreu, no final do ano de 1985, um Sínodo Extraordinário dos Bispos, para assinalar o 20.º aniversário do termo do Concílio Vaticano II e fazer uma avaliação da sua recepção pelas Igrejas. Julgamos importante sublinhar o que pensaram então os 165 Padres Sinodais, em reunião com o Papa. Um balanço geral, relevando os pontos positivos e negativos, e deixando algumas questões, pode trazer-nos pistas de reaproximação aos textos conciliares. Comecemos por aí.
Das consultas prévias feitas às Igrejas, resulta claro que o Concílio é a “carta magna” da vida da Igreja. Um dom de Deus, uma graça… sem retorno! Reconhecida uma recepção ainda incompleta, persiste a esperança de que, como obra do Espírito Santo, ela há-de continuar. E os problemas, sempre presentes, em todos os tempos, não podem ser ditos “post Concilium”, “propter Concilium” (depois do Concílio, por causa do Concílio).
No tocante ao interior da Igreja, os sinais positivos reconhecidos foram: compreensão mais profunda da Igreja e do serviço co-responsável e subsidiário no seu seio; presbíteros e bispos tomam consciência progressiva da comunhão, com reflexos nas suas responsabilidades próprias e no seu relacionamento. Valoriza-se a colegialidade a todos os níveis. Não é alheio a esta renovação o facto da reforma litúrgica, bem como a nova riqueza da Palavra de Deus, que forma, consciencializa, estimula os fiéis.
No diálogo com as culturas, uma atitude dinâmica, profética e missionária, vence a atitude defensiva. Empenho radical na esfera dos direitos humanos, sensibilidade aos problemas sociais… O esforço da inculturação leva ao diálogo missionário com as culturas, à entreajuda e colaboração entre Igrejas antigas e jovens. Fruto saboroso do Espírito é ainda o impulso do ecumenismo – colaboração mútua e oração comum com as Igrejas cristãs.
“Tudo isto é motivo de regozijo e de acção de graças em toda a Igreja. Um olhar objectivo, para não falar da visão da fé, não autoriza nem o pessimismo, nem a resignação, nem o desânimo. A Igreja pós-conciliar vive e vive com intensidade.” – dizia a primeira relação do Cardeal Danneels.
