Violência

Ponta de Lança No contexto deste apontamento, deve-se estender o conceito da violência à violentação!

“Estender” será a forma mais correcta para aferir o quanto complexo é o assunto, uma vez que, por mais boa-vontade que exista, as propostas de solução não passam de recursos de diagnóstico dada a velocidade com que a matéria avança entre os vários grupos sociais.

Recorrendo ao paradigma desportivo, encontramos considerações óptimas para a solução. Por exemplo, o caso do Conselho Nacional contra a violência no desporto. Na introdução às grandes opções do plano (o de 2001, não está lá, no site, outro!), entende-se que tudo começará por qualificar as pessoas, promover o emprego de qualidade e caminhar para a sociedade do conhecimento e da informação, encarada como uma aposta transversal para entrar com êxito no século XXI, prosseguindo no esforço no sector de educação, com novos meios e novas ambições; assegurando uma articulação mais estreita entre educação, formação e valorização profissional para promover um emprego de qualidade; implementando uma política de ciência e tecnologia para o desenvolvimento do País; prosseguindo uma política de juventude, em que é determinante a aposta no tecido social juvenil e o investimento na educação não formal e na qualificação dos jovens!

Alguns estudos indiciam que a violência protagonizada pelos jovens nas escolas é uma realidade inegável. A sociedade terá que se organizar e insurgir-se activamente contra este fenómeno. De igual modo, a escola terá que ajustar os seus conteúdos programáticos e acercar-se mais às crianças. Devido às exigências, as famílias muitas vezes destituem-se da sua função educativa, delegando-a à escola. No meio de toda esta confusão, estão os jovens, que, actuam conforme aquilo que observam e agem consoante os estímulos do meio. Meio esse que por vezes oferece modelos de conduta e referências positivas questionáveis. Ou seja, por palavras-chave, a intervenção passa por compreender a escola; a violência; o meio; a família; a sociedade.

Nestes últimos dias, a comunicação social deu voz a alguns interlocutores com vontade de dar volta ao estado das coisas. «O Ministério da Educação tem de inverter esta política que desvaloriza a profissão docente, que desqualifica os professores, porque essa é também a forma de garantir que os problemas de indisciplina e violência não alastrarão», defendeu Manuela Mendonça. A sindicalista responsabilizou, por isso, a ministra da Educação e o Governo pelo acréscimo de situações de indisciplina e violência contra professores nas escolas. (Diário Digital, 2007-03-05)

A violência, que está aí, até em forma de violentação (passiva ou activa), acompanha-nos desde a criação. Porque no princípio era a repressão (açoites, deportação, morte); depois a Moral (inferno); surgiu a lei (direitos e deveres), que veio a dar lugar à ética (vergonha, estigma); entretanto, a liberalização sucumbiu aos pés, aos bastões, ao pontapé, aos gritos do pragmatismo (o terror do eu, do indivíduo medida de todas as coisas); depois apareceu a Escola (a panaceia – parece, não é?); e por fim… o caos – tal como antes do princípio! Agora perfila-se no horizonte a natureza como era no princípio – o estado bruto!

Não tarda nada… temos de dar a mão à palmatória!?

Desportivamente… pelo desporto!